LABORATÓRIO DE VERÃO AND
CURITIBA

Edição#2
OUTROS (AR)RUMOS: tácticas de multiplicação para corpos e territórios

Esta edição do Lab de Verão AND em Curitiba assenta na constituição de um grupo de dez componentes (máx.), de modo a facilitar um trabalho vivencial e singularizado de re-arrumação sensível e de amplificação de rumos, situado na matéria de vida de cada participante. Parte-se da questão: como ver aquilo que, em mim, só me é devolvido através do olhar de outre?

Uma imagem-síntese da zona de pesquisa pode ser a relação de cada ume com o próprio rosto ou com as próprias costas. O rosto e as costas são ‘partes de mim’, somente visíveis a partir de posições ‘fora de mim’. Se ver é uma possibilidade para mim, todos os rostos me são acessíveis menos o meu, a não ser que recorra a algo a mim ‘externo’ (como um espelho).

Transitar e existir no mundo é, também, em termos de experiência sensível, habitar esse incessante jogo de posicionalidades numa paisagem populada por frentes e costas alheias, ganhando intimidade – não necessariamente proximidade (ou, às vezes, justamente o contrário) - com o invisível desses outres com que nos relacionamos, processo mais ou menos coincidente com a consolidação do inevitável exílio das mesmas partes em nós.

A proposta é a de uma investigação das potências de variação e das forças constituintes do agregado a que chamamos Eu, numa procura táctica pela multiplicação de corpos e territórios de vida. É a de um exercício de afinar a atenção para o meio relacional, físico e imaginativo - que comunica indivíduos, objectos e magnitudes como campo de heterogeneidades -, confiando ao meio relacional a função de expressividade que habitualmente é tomada como prerrogativa dos indivíduos.

Esta vivência colectiva de re-arrumação é, ainda, uma pesquisa das muitas e variadas manifestações dos vectores radicais de reconhecimento e identificação que perfazem, também, a zona de sombra do si para si. Pesquisa das possibilidades de frequentar essa dimensão imperceptível que nos acompanha e constitui na imanência de cada gesto, escolha e decisão, dimensão só vista pelo olhar alheio. Pesquisa das possibilidades de operar por des-cisão ali, na “cisão entre o que vemos e o que nos olha”. De habitar e encorpar (dando forma, performando) a zona do Quase, por aproximação in-terminável, como modo de discernir o indiscernível. De, ao percorrer a matéria do íntimo e do proximal de cada participante enquanto corpo-território feito de narrativas, imagens, memórias, sensações e rastos materiais, encontrar modos da liberdade e da liberação, tanto de limitar - através de arrumos que permitem saber das forças constituintes de cada posição - quanto de ilimitar - através de rumos outros, disponíveis quiçá na zona de sombra (no não se poder saber, nunca, inteiramente; no olhar, por aproximação, para aquilo em nós que não nos olha de volta senão de modo atravessado e deslocado, no acto de observar o que outres nos devolvem).

Nesta edição, colocamos em conversa elementos, questões e procedimentos provenientes da pesquisa colaborativa Modo Operativo AND e (Ar)rumação e das linhas de pesquisa do AND Lab Metálogo & Co-Operação e ANDbodiment.


ONDE:
Casa Quatro Ventos
Rua da Paz, 51 – Centro, Curitiba
QUANDO:
16 a 22 de Março
Sábado e domingo: 14-19h
Segunda a sexta-feira: 14-18h e 19-22h
COM QUEM:
Fernanda Eugenio, em conversa com Ana Dinger, Francisco Gaspar Neto e Milene Duenha

Projecto AND Lab 2019

DO IRREPARÁVEL: O QUE PODE UMA ÉTICA DE REPARAÇÃO?