QUÊ? (Artefatos & .Colaborativos)

Foto/Photo: Alípio Padilha

Cidades de Vapor

Fernanda Eugenio & Gustavo Ciríaco

Desde 2015

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ARTEFATOS

Programa

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Em Cidades de Vapor, Fernanda Eugenio e Gustavo Ciríaco propõem transportar operações sensíveis de uma cidade para outra, construindo, através do convite a navegar numa ambiência sensorial recriada, um espaço-tempo cruzado e imaginário, pelo qual vapores urbanos se podem propagar - e uma viagem poético-experiencial se descortina como experiência compartilhada no aqui-agora.


Seguindo os vapores da cidade numa jornada, entre o vôo e o mergulho, pelo plano das sensações, Cidades de Vapor propõe uma infiltração instalativa no fluxo cotidiano, “beliscando” os sentidos amortecidos do habitar urbano e chamando a atenção para uma necessária revalorização dos tempos intervalares do trajeto e da relação lúdica e imaginativa com os espaços habitados.


Disparada a partir do manuseio dos blocos de sensações inefáveis, Cidades de Vapor convida a uma reconexão com as emanações que se desprendem do vivido e que só podem ser experimentadas a partir de uma relação de envolvimento direto.


Cruzar vapores de diferentes cidades, para a dupla de artistas, é um modo de colaborar para a reabertura sensível ao ser-estar dos lugares, em tempos de virtualização das relações e de elogio ao consumo fugaz do sítio. O desejo de captar e partilhar vapores vai ao encontro da reativação de uma sensibilidade menos marcada pela hegemonia da visão, que englobe todos os sentidos e convoque o público a um reencantamento pelo que já lá está.


O convite a imergir nessa paisagem de vapores pretende criar uma suspensão ao modo zapping do ecrãs, sem negar a sua operacionalidade cambiante e veloz, também presente nas cidades, mas proporcionando uma nova relação entre os sentidos mais diretos da visão e da audição e essa zona menos hegemónica do tato, do olfato e do paladar, misturando-os todos na nossa deriva espacial e subjetiva.


Cidades de Vapor é uma obra site-specific nómada, que se dedica, a cada edição, a uma cidade pela qual a dupla passou, e que busca capturar o incapturável, o efémero que constitui o presente de uma cidade, os seus traços mais deléveis, porém característicos: as emanações da sua vida cotidiana.


Para cada cidade, um formato diferente é adotado na sua tradução, entre a instalação, a performance e o espetáculo interativo. As proposições sensoriais, por vezes, propõem-se a transportar experiências de cidade em cidade, e, noutras vezes, procuram recriá-las na mesma cidade em que surgiram, porém em outro contexto. Para isso, a dupla combina diferentes ferramentas site-specific na criação de dispositivos imaginários atravessados por múltiplos cruzamos espaço-temporais.

A obra busca, em um plano mais amplo, navegar por questões importantes relacionadas à ativação da sensibilidade artística como geradora de reflexão, sabedoria coletiva e empoderamento ativo.



Edições já realizadas:


  • Cidades de Vapor #1 - Nova Iorque, em Nova Iorque, 2015

  • Cidades de Vapor #2 - HCMC/Saigon, em Lisboa, 2019

  • Cidades de Vapor #3 - Manila e Baatan, em Manila, 2022