QUÊ? (Artefatos & .Colaborativos)

Práticas de Des-imunização

Fernanda Eugenio & Dani d'Emilia

2018-2021

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PROJETOS COLABORATIVOS

Programa

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As Práticas de Des-Imunização partem do campo de afinação entre a política de co(m)passionamento, experimentada por Fernanda Eugenio com o Modo Operativo AND, e a prática da Ternura Radical proposta pela artista Dani d’Emilia, no âmbito da performance e da pedagogia radical, para pesquisar, no plano da corporeidade, possíveis percursos para a ativação de modulações não-hierárquicas e disseminadas do amor e do amar, experimentando a sua liberação de conformações pré-definidas e a sua operatividade enquanto força de strangership: sintonização com o impróprio e o alheio, capacidade de prescindir da lógica da (des)identificação e do (des)entendimento para abrir-se em disponibilidade, comparência, escuta, engajamento e presença.


Esta colaboração ancora-se no desejo de experimentar procedimentos relacionais e práticas político-afetivas encarnadas para a trans-formação social, explorando a dobra entre o íntimo e o político: entre os modos da vinculação proximal e aqueles que poderão operar, por emergência, mudanças sensíveis no coletivo.


Criar as condições para o exercício desta política outra para a constituição situada do viver-juntes envolve acolher o risco e comprometer-se com o cuidado recíproco, a fim de sondar caminhos para a retomada de territórios afetivos imunizados pelos mecanismos da indiferença ou pelo fechamento identitário. Des-imunizar ao outro (cum, o outro; o além de mim), experienciar a relação como dádiva (munus). Fazer no/do corpo coragem e franqueza para se implicar, a cada vez, no (re)fazer comum.


Os procedimentos e as proposições vivenciais que vão sendo criados na relação entre es artistas são, periodicamente, partilhados sob a forma de diferentes oficinas experienciais abertas à participação de qualquer pessoa com disponibilidade e desejo de pesquisar o território vasto – e sempre ainda por inventar – dos modos como vivemos as nossas relações e distribuímos os nossos afetos.


As oficinas propõem a cada vez um conjunto diferente de práticas emergentes da contaminação-afinação entre as políticas do co(m)passionamento e da ternura radical, sempre partindo do plano da corporeidade para investigar outras disposições sensíveis – menos dependentes da identificação e do entendimento – e modos de criar, frequentar e praticar formas disseminadas do amor.


As proposições procuram criar um ambiente de confiança, acolhimento e franqueza – no qual o cuidado possa crescer na proporção do risco – e envolvem circuitos sensoriais e micro-scripts performativos para serem vividos em duplas, trios ou em pequenos grupos, circunscrevendo zonas temporárias de intimidade com o desconhecido e o desconhecível e convidando a experimentar estados de vulnerabilização deliberada e de elasticidade variável da (im)permeabilidade e do (des)conforto.