ESCOLA DE VERÃO AND 2019

AND SUMMER SCHOOL 2019

 

ESCOLA DE  VERÃO AND #4

REPARAR (N)o IRREPARÁVEL:

práticas político-afectivas encarnadas, exercícios de escuta sensível e experimentações com as potências dissidentes do amor

 

5 a 20 de julho de 2019

Polo Cultural das Gaivotas

com Fernanda Eugenio e xs artistas/investigadorxs convidadxs Ana Dinger, Dani d’Emilia, Flora Mariah, Sílvia Pinto Coelho (+ atividade paralela com Cristina Maldonado)

 

 

NOTA: O texto do call é longo, mas está TUDO aqui!

ROLAR PARA BAIXO PARA ACEDER DIRECTAMENTE ÀS INFORMAÇÕES.

No início, se encontram as secções BREVE DESCRIÇÃO, apresentação geral das Escolas de Verão AND e PROGRAMA 2019, cronograma de actividades da edição deste ano.

A próxima secção, A PROPOSTA PARA 2019 desdobra o tema-questão do ano num texto-paisagem mais denso e alargado, cuja leitura pede por uma outra temporalidade e explora as possibilidades de fazer-dizer mundos através do potencial poético e performativo da linguagem.

As secções seguintes apresentam as ferramentas e práticas que integram esta edição do curso, além de informações com relação a bolsas, descontos, prazos, alojamento, modalidades de participação, formas de pagamento, etc.

Se persistirem dúvidas, então contactar pelo e-mail info@and-lab.org.

 

 

:::::: BREVE DESCRIÇÃO ::::::

 

As Escolas de Verão AND acontecem anualmente em Lisboa, no mês de Julho, instalando, a cada edição, uma zona temporária de atenção e de investigação experiencial e colectiva, à volta de uma questão transversal, diferente a cada ano.

Ao longo de duas semanas, com uma carga horária de 100h, propomos um espaço-tempo imersivo na troca de procedimentos para a improvisação-criação colectiva e (com)posição-com (d)o comum, tomando o corpo como matéria e tendo o Modo Operativo AND como fio condutor e ferramenta mediadora.

 

Através da experimentação duracional com o próprio e o alheio, e de exercícios de reciprocidade entre o cuidado de si e o cuidado do entorno, procuramos gerar atenção sobre os processos consequentes através dos quais aquilo que fazemos (e, sobretudo, como o fazemos) nos faz em retorno: gestos, palavras, hábitos, perspectivas, posturas, modulações.

Sem pré-requisitos, um encontro destinado a artistas, pesquisadores, pessoas comprometidas com práticas de justiça social e todxs xs interessadxs na re-materialização de saberes cristalizados em saberes inventivos e situados; na pesquisa de políticas da convivência e numa ética suficiente para o aprender-fazendo, a partir do lugar qualquer.

 

 

:::::: PROGRAMA 2019 ::::::  (sujeito a ajustes)

▪️ 5 de julho, sexta, 18-22h – evento de abertura e recepção dxs participantes, no espaço roundabout.lx, com jantar de convívio (opcional) e apresentação de vídeos-síntese dos labs/escolas AND

▪️6 e 7 de julho, sábado e domingo, 15-20h – Oficina de Introdução ao Modo Operativo AND, com Fernanda Eugenio

▪️8 a 12 de julho e 15 a 19 de julho, segunda a sexta, 10 às 13h – práticas regulares de sintonização com ferramentas do Modo Operativo AND, Práticas de Atenção e Raba Power

▪️8 a 12 de julho e 15 a 19 de julho, segunda a sexta, 15 às 19h – oficina de desdobramento da questão do ano, com ferramentas do Modo Operativo AND em conversa com Ternura Radical, Práticas de Des-Imunização e Metálogo&Co-operação

▪️9 a 11 de julho e 16 a 18 de julho, terça a quinta, 19 às 20h – participação individual em The Insider (actividade opcional)

▪️20 de julho – evento de encerramento (organização colectiva e emergente durante o processo do curso)

 

▪️Nos dias úteis das duas semanas de trabalho, de 8 a 12 de julho e de 15 a 19 de julho, o intervalo de almoço será entre as 13 e as 15h. O fim-de-semana de 13 e 14 de julho é livre.

:::::: A PROPOSTA PARA 2019 ::::::

 A quarta edição da Escola de Verão AND toma, como campo de inquietação, a ferida aberta entre a irreparabilidade fundadora, hegemónica e tendencialmente reiterativa do mundo-como-É, e as (im)possibilidades de dar corpo a um mundo-como-E, através da prática consistente e sustentada de uma ética de reparação.

 

Como aposta forte de pesquisa e habitação, propomos investigar o amar enquanto gesto de cuidado-curadoria, na dobra entre o íntimo e o político, operando-o através de uma experimentação radical com os limites-tensão da ferramenta central do Modo Operativo AND, o Reparar; do desdobramento de tácticas de (an)coragem no plano da corporeidade; de práticas encarnadas de (auto)etnografia – capazes de (nos) acompanhar (n)a luta político-afectiva pelo que queremos e podemos enquanto comunidades – e de um trabalho microscópico, proximal e firme com as potências dissidentes desta mancha a que chamamos “amor”, ao mesmo tempo difusa e já tão marcada-desgastada, reabrindo-a enquanto força de efectuação do ingovernável, enquanto modo-multiplicidade do inter-ferir e do des-imunizar. Fazer do amor disseminado uma modulação não-reactiva de desobediência civil; um instrumento de regeneração e curadoria colectiva; um exercício de destituição, despossessão e desaprendizagem de comportamentos (auto)opressivos e, ao mesmo tempo, de sintonização pela intersecção e pela obliquidade, pelo impróprio e pelo alheio. Uma força de strangership: de acolhimento do desconforto inevitável implicado nesse esgarçar do possível, do pensável e, sobretudo, do sensível; de acompanhamento no risco e de sustentação do desconhecido-desconhecível. Uma prática de, ao mesmo tempo, se dar e continuar a se ter, conjugando, sem contradição, tanto um questionamento dos habituais contornos da noção de intimidade/privacidade (naquilo em que estes reproduzem a lógica da propriedade privada capitalista) quanto a afirmação da autonomia do corpo e das suas regras imanentes, do seu direito inalienável à singularidade e à (re)invenção.

Fazer do amor disseminado, enfim, simultaneamente um treino comprometido de des-hierarquização da atenção, uma prática situada de justeza e suficiência, uma via de retomada dos territórios expropriados do desejo, das forças invisíveis e do vocabulário sensível para circunscrevê-las e validá-las – a elas e ao plano de afinação em potência no qual o consentimento possa, de facto, cada vez mais, mediar os encontros, sobretudo enquanto um suportar(-se) recíproco, um com-sentir.

Ao propor este espaço-tempo imersivo dedicado à pesquisa experiencial e colectiva do amor enquanto exercício de cuidado-curadoria e, portanto, de eventual trans-formação (reabertura, ultrapassagem e superação da forma), desejamos ainda mergulhar nas vizinhanças infinitesimais e cósmicas do processo de passagem da composição à posição-com: indagar, no corpo e nas sensações, modos concretos de acompanhar, de perto em perto, as demais operações aí implicadas, de decomposição e reposição (reposicionalidade), de disposição (disponibilidade) e de recomposição. De testemunhar os afectos que aí comparecem até à sua dissipação, curando, juntxs, o só, e, sós, o juntxs. Desejamos começar este exercício delicado de curadoria íntimo-política pelo ínfimo gigantesco de cada-umx; compactuar em zonas temporárias de intimidade que possam, cada vez menos, depender do gosto, da eleição, da concordância, da identificação ou do entendimento; seguir, então, em modo distributivo, experimentando, a cada vez, o reencontro possível com o funcionamento da dádiva. Não planear a mudança, nem sequer saber no que deve ou pode consistir. Não mirar o grande objectivo de saltar para um outro mundo (que, deste modo, acabaria por ser um outro mundo-como-É) mas persistir no reabrir da consistência das formas e no acompanhar(-se) nesta passagem. Pois ‘amar jamais é estar juntxs, mas devir juntxs’.

E tudo isto porque investigar modos e tácticas para reparar (n)o irreparável consistirá, talvez, em frequentar este território abismal e aporético no qual reparar chega a coincidir com destruir e matar. E como matar eticamente o sistema não poderia começar de outro modo senão por matá-lo intimamente, numa luta de si para consigo pela descolonização sensível, confrontamo-nos com um compromisso de (auto)cuidado e (auto)amor que implica, radicalmente, pesquisar modos de (não) morrer. À questão disparadora da in-terminável pesquisa a que se dedica o Modo Operativo AND, acerca das políticas da convivência – como viver juntxs? – aglutinam-se, então, indagações emergenciais e cruamente concretas: como morrer juntxs? como viver só? como matar(-se) sem morrer? como encerrar o irreparável ciclo da dívida, feito-facto do saque colonial-capitalista, e (re)entrar no ciclo da dádiva? Como liberar o amor e fazer dele força de libertação para a reparagem-reparação de qualquer relação, reconhecendo que todas as nossas relações são, cada uma à sua maneira, relações de amor (ou que o amor é a forma, talvez a única, da própria relação)? Como activar uma luta amorosa – essa vigília sem tréguas, essa navegação (im)possível e (im)precisa entre a cumplicidade e a reciprocidade? Como tomar coragem e tornar-se ancoragem? Como ver e fazer ver a impermanência das coisas e daí derivar um mundo equânime? Como desintoxicar a percepção e fazer do ver, simultaneamente, um pouco mais e um pouco menos do que a reprodução da cosmovisão hegemónica – na qual ver coincide com saber e opera a ilusão da separabilidade? Como passar do ver ao reparar, que é um ver adensado de presença, um ver encorpado que escuta, que tacteia, fareja e saboreia? Como passar da cosmovisão à cosmosensação e, assim, para um modo de estar atento à inseparabilidade e à delicada quasidade de tudo que é/vai sendo? Como, a partir daí, quase-conseguir uma utopia talvez ainda mais vasta do que a disponibilidade para re-parar (parar de novo ante aquilo que interrompe o nexo do sabido e a aceleração da expectativa): estar pré-parado, no duplo sentido de ir passando do modo desespero ao modo desapego, do modo controle ao modo suporte? Será possível espectrar-se e (des)aparecer, a partir da realização dos próprios fantasmas (tudo aquilo que comparece)? Será possível sintonizar-se com as sensibilidades outras, vegetais e minerais, operando, a cada vez, a des-ilusão da falta, da pressa, do objectivo, da finalidade, do significado, do poder, do protagonismo?

É ISSO, então, que desenha o campo de forças deste encontro: o desejo de exercitar o desmapeamento do amor, de refazê-lo experimentalmente enquanto performação do comparecimento e da implicação; enquanto compromisso encarnado com a tomada de posição equânime e consequente frente ao irreparável, na sua tripla modulação:

O irreparável, aquele manifesto na porção de incalculável e de indiscernível (de imprevisível e, quiçá, mesmo de inevitável) sempre presente em tudo que há; que não cessa de explicitar o não-saber como condição coincidente com o viver, a pedir por franqueza e a expor a vulnerabilidade radical enquanto atravessamento comum que, ao mesmo tempo, nos une e nos separa - e que só pode mover-nos juntxs em co-passionamento.

O irreparável, aquele implicado na irreversibilidade e na incessibilidade do próprio acontecer, que nos lança (a)o desafio de não desistir nem resistir, de não sucumbir à indiferença/impotência nem à intransigência/apego, encontrando, a cada vez, a justa medida da aceitação não-resignada, da presença co-responsiva, do acompanhar(-se) (n)o manejo das consequências emergentes desse desdobrar, sem apelar à narrativa e à criação de coerência, sem pretender controlar.

O irreparável, por fim, e sobretudo, aquele que funciona como estruturante do mundo-como-É, assente na irremediável e incompensável operação da usurpação/colonização, que faz do trauma o modo quase unívoco da individuação, assente, no limite, numa proliferação de variadas versões de uma mesma cisão, que separa sujeitxs e sujeitadxs, pervertendo o ciclo da dádiva (vínculo baseado na reciprocidade e no E enquanto conectivo mínimo) em ciclo da dívida (vínculo perverso que se instaura, através da fixação hierárquica de papéis, corrompendo o dar - tornado privilégio de mandar - e o retribuir - tornado obrigação de obedecer - e eliminando a escuta sensível que operaria o receber enquanto gesto situado e singular).

 

O Modo Operativo AND, nos seus diversos (contra)dispositivos de jogo relacional e de frequentação performativa da reciprocidade, funcionará como ferramenta transversal para esta pesquisa encarnada. Nesta edição da Escola de Verão, concentrar-nos-emos sobretudo nas modulações do MO_AND que se articulam a partir da tomada do corpo enquanto tabuleiro-território: práticas do ANDbodiment desdobradas em jogos de decomposição-reposição e disposição-recomposição e práticas da (auto)etnografia sensorial desdobradas nos jogos do (des)aparecimento, do com(-)parecimento e da impermanência. Aliam-se, ainda, as ferramentas do Metálogo & Co-Operação (Ana Dinger e Fernanda Eugenio), das Práticas de Des-Imunização (Dani d’Emilia e Fernanda Eugenio), da Ternura Radical (Dani d’Emilia), da Raba Power (Flora Mariah) e das Práticas de Atenção & Distracção (Sílvia Pinto Coelho). Existirá também um espaço propositadamente aberto, no final de cada dia de trabalho, para a fala, a escuta e a digestão assistida e a oferta de uma vivência after-hours (opcional), para umx participante a cada vez, do processo The Insider (Cristina Maldonado, com acompanhamento de Fernanda Eugenio).

 

Fernanda Eugenio

março/abril de 2019, em trânsito

entre Rio, Curitiba, São Paulo e Brasília

:::::: FERRAMENTAS E PRÁTICAS TRABALHADAS NESTA EDIÇÃO ::::::

 

▪️MODO OPERATIVO, Fernanda Eugenio

O Modo Operativo AND (MO_AND) consiste numa ética do Re-parar, da Reparagem e da Reparação, sistematizada num conjunto de ferramentas-conceito e de proposições-jogo que, ao mesmo tempo, propõe e propicia: a investigação directa e experiencial dos funcionamentos do Acontecimento e da Relação; a explicitação dos modos de emergência e de sustentação de acontecimentos comuns metaestáveis; a sensibilização às condições de possibilidade contingentes-impermanentes de cada encontro e às consequências políticas dos posicionamentos individuais e/ou colectivos; a afinação das capacidades de distribuição não-hierárquica da atenção e de (re)inventário trajectivo do possível, simultaneamente no plano da auto-observação em acto e no plano do mapeamento da situação envolvente; o treino da disponibilidade à diferença e ao acidente/imprevisto, da comparência atempada, da tomada de decisão situada e da colaboração dissensual; a transferência de protagonismo do sujeito para o acontecimento, ou seja, a prática co-passionada da presença; o exercício de uma equiparação consistente entre autocuidado e cuidado do entorno e entre o discurso proferido e a sua efectuação no fazer; a frequentação exploratória de disposições subjectivas e relacionais dissidentes para a performance íntima e social dos afectos, numa pesquisa de alternativas aos modelos identitários e aos scripts pré-definidos e hierarquizados. O MO_AND apoia-se na activação do (contra)dispositivo do jogo não-competitivo e de regras imanentes como meio para a delimitação provisória de uma zona de atenção colectiva; como simulador de acidentes e como propiciador de uma simultaneidade entre dentro e fora. O recurso ao recorte – o tabuleiro de jogo – permite a instalação de “mundos dentro do mundo” e a exploração de diferentes escalas de menorização/maximização do (in)visível e de redução/ampliação do espaço e do tempo, estimulando o desenvolvimento de uma sensibilidade fractal, atenta e minuciosa às modulações relacionais da reciprocidade (justo meio entre a complementaridade e a simetria) e da suficiência (justo meio entre a eficiência e a desistência).

 

▪️METÁLOGO & CO-OPERAÇÃO, Fernanda Eugenio e Ana Dinger

Diferentemente de uma conversa usual, os metálogos recuperam uma operação avançada por Gregory Bateson: o compromisso de tentar que o modo de conversar materialize aquilo que está a ser conversado. No metálogo, procura fazer-se com conceitos ou, se possível, fazer os próprios conceitos, performando modos intensivos de pensar em relação. O esforço é o de presentação e não de representação, no sentido de superar, através do uso, tensões como estrutura/matéria e forma/conteúdo. A questão-problema, a ser manuseada, a cada edição, tem sido extraída do tema oferecido por um evento anfitrião. São, sobretudo, as condições do encontro que se preparam e esse trabalho preparatório (já, muitas vezes, também, metalógico) consiste no mapeamento das vizinhanças do problema e na proposição de ferramentas, materiais, formatos ou interfaces. O metálogo habita diferentes territórios, a cada vez resultando num objecto singular. O programa recorre sem remontar, outro modo de dizer que se repete o procedimento, diferindo a sua materialização.Ensaiando um modo operativo perspectivista, o metálogo percorre a paisagem do problema através de uma táctica da dádiva: o problema ganha corpo através do receber e retribuir de cada tomada de posição recíproca. Insiste-se no metálogo até que a questão inaugural se reformule, por desdobramento, numa outra ou mais questões. A capacidade de distinguir, na duração do encontro percebido como paisagem, as modulações de performatividade que atravessam uma relação será, talvez, um modo de tratar (e treinar) a própria 'performance do encontro' na sua dimensão de consistência (ao invés de privilegiar uma coerência redutora). Esta investigação da co-operação debruça-se, por um lado, no entre-2 como ponto de partida para o entre-mais-do-que-2, e, por outro, na potência da linguagem como (re)formulação de mundo(s). 

 

 

▪️ PRÁTICAS DE DES-IMUNIZAÇÃO, Fernanda Eugenio e Dani d’Emilia

As Práticas de Des-Imunização partem do campo de afinação entre a Política de Co-Passionamento, experimentada por Fernanda Eugenio com o Modo Operativo AND, e a prática da Ternura Radical  proposta pela artista Dani d’Emilia, no âmbito da performance e da pedagogia radical, para pesquisar, no plano da corporeidade, possíveis percursos para a activação de modulações não-hierárquicas e disseminadas do amor e do amar, experimentando a sua liberação de conformações pré-definidas e a sua operatividade enquanto força de sintonização capaz de prescindir da lógica da (des)identificação e do (des)entendimento para abrir-se em disponibilidade, comparência, escuta, engajamento e presença. Esta colaboração ancora-se no desejo de experimentar procedimentos relacionais e práticas político-afectivas encarnadas para a trans-formação social, explorando a dobra entre os modos da vinculação proximal e aqueles que poderão operar, por emergência, mudanças sensíveis no colectivo; sondando, assim, possíveis caminhos para a retomada de territórios afectivos imunizados pelos mecanismos da indiferença ou pelo fechamento identitário. Des-imunizar ao outro (cum, o outro; o além de mim), experienciar a relação como dádiva (munus). Fazer no/do corpo coragem para se implicar, a cada vez, no (re)fazer comum. Os procedimentos e as proposições vivenciais procuram criar um ambiente de confiança, acolhimento e franqueza – no qual o cuidado possa crescer na proporção do risco – e envolvem circuitos sensoriais e micro-scripts  performativos para serem vividos em duplas, trios ou em pequenos grupos, circunscrevendo zonas temporárias de intimidade com o desconhecido e o desconhecível e convidando a experimentar estados de vulnerabilização deliberada e de elasticidade variável da (im)permeabilidade e do (des)conforto.

 

▪️TERNURA RADICAL, Dani d’Emilia

Este trabalho explora a co-produção de conhecimento crítico e imaginação política através de linguagens que vão além dos âmbitos racionais e discursivos. Trabalhamos a partir do corpo, investigando nossa capacidade de perceber outrxs através de múltiplos sentidos e modos de conhecer, habitando as contradições, incoerências e vulnerabilidades que surgem ao ousarmos borrar fronteiras entre noções como identidade e alteridade, individualidade e colectividade, tensão e confiança. Combinando a performance-pedagogia (práticas de performance/arte como processo pedagógico de desaprendizagem e criação) e a ternura radical (resistência político-poética tecida no exercício do activismo ‘para dentro e para fora’) com perspectivas transfeministas e decoloniais (interrogando legados patriarcais e coloniais em nossas corpo-subjetividades), este trabalho investiga possibilidades de nutrir alianças político-afectivas que levem em conta, e ao mesmo tempo tentem não reproduzir, diferentes formas de violência inerentes à nossa construção como sujeitos políticos. Situando-nos no, e para além do,  paradoxo entre identificação e desidentificação, experimentamos modos de alimentar nossa pulsão vital no encontro entre nossos corpos passados e presentes, e os estranhos gérmens que carregamos dos (im)possíveis mundos por vir.

 

▪️RABA POWER, Flora Mariah

A RABA é um projeto de investigação e partilha de diferentes técnicas e abordagens sobre mobilidade pélvica, sexualidade e auto-aceitação. Com alguns exercícios técnicos, a ajuda de práticas somáticas e muita ralação de raba, trabalhamos a mobilidade pélvica entendendo essa região de forma integrada em relação ao resto do corpo. Ao ativar a região pélvica através do movimento, ativamos também muitas camadas psíquicas, culturais e sociais do nosso corpo, e podemos nos deparar com velhos padrões, dores e amarras ali cristalizados de tal forma a dificultar, e até mesmo a impedir a passagem de importantes fluxos energéticos. Acontece que o lugar onde encontramos aquilo que dói e incomoda, é também o lugar onde podemos encontrar nossa força, ou seja, é dentro da própria ferida que encontramos a sabedoria para curá-la. A RABA é então um convite a fazer esse mergulho juntxs, e a embarcar num processo de descobertas sobre si e de resgate no prazer com o próprio corpo. Numa sociedade onde a sexualidade da mulher ainda é vigiada pelo patriarcado, é importante entender que rebolar a RABA se torna também um ato de resistência política, então vamos aos poucos desmoralizando e descolonizando nossa sexualidade, entendendo esse exercício também como produtor de saúde. Vale lembrar que todas as RABAS são bem-vindas, porque todxs se beneficiam num ambiente com mulheres empoderadas.

 

▪️PRÁTICAS DE ATENÇÃO & DISTRACÇÃO, Silvia Pinto Coelho

A oficina de Práticas de Atenção & Distracção funciona como campo de afinação sensível, um modo de proporcionar o espaço-tempo para uma prática do Modo Operativo AND. A sensibilidade filigranar das práticas de atenção de Sílvia Pinto Coelho é herdeira de uma série de práticas de dança e de práticas somáticas. O foco na “atenção”, ou na atenção à atenção e aos vários sentidos, proporciona a autonomia da escolha atenta como postura estética e política. Isto é, uma partilha sensível feita a partir da ginástica da atenção às escolhas perceptivas. Grande parte dos exercícios propostos estão organizados em torno da visão, da ideia de ver e de não ver e do que se vê quando se altera o modo de ver. Este trabalho permite que outras camadas de complexidade surjam a partir da estrutura inicial oferecida no workshop intensivo de introdução ao MO_AND. Habitar um campo constituído envolve um processo de ajuste delicado e re-situado, em cada etapa, para encontrar uma implicação. Qualquer coisa como olear e afinar a máquina enquanto a usamos, num cuidadoso trabalho de sintonização. Por vezes, este processo já co-habita connosco há muito tempo. A escolha sensível escondida na vida de todos os dias parece elidir miríades de posturas e posições ético-estéticas que gostaríamos de experimentar atentamente.

 

▪️THE INSIDER, Cristina Maldonado

The Insider é uma performance one-to-one em processo de criação, com acompanhamento de Fernanda Eugenio, que explora as possibilidades de adentrar no mundo/perspectivas de outrxs como forma de investigar as relações entre simulação e empatia. O dispositivo físico-interativo-sensório em construção para The Insider será partilhado de modo experimental, como actividade opcional oferecido a um participante a cada vez, em modo vivência after-hours (após as sessões de cada dia). “Are you able to enter somebody else’s world without simulating empathy? What is empathy without simulation and who is the »Insider«? In most of the VR-experiences, the audience member is immersed in a virtual world, displaced from immediate physical reality and loosing awareness of the body and surrounding environment. Insider plays with the opposite approach - VR is used to displace the viewer to intensify the experience of physical reality. The sense of touch places the viewer back to the reality where the sensory experience is part of a virtual realness.”

 

 

:::::: VAGAS, VALORES, BOLSAS E DESCONTOS ::::::

 

Número total de vagas: 20

Custo integral do curso: 700€

Para quem NÃO PODE PAGAR* o valor completo, oferecemos os seguintes descontos e bolsas:

 

🖤 DESCONTO PARA INSCRIÇÕES ANTECIPADAS:

▪️FAIXA#1, até 15 de Maio: 700-200 = 500€

▪️FAIXA#2, até 15 de Junho: 700-100 = 600€

🖤 DESCONTO PARA REDE DE AMIGXS DO AND LAB

▪️3 vagas estão reservadas para a Rede de Amigxs do AND Lab, subtraindo o valor doado através de assinatura anual ao custo de inscrição na Escola de Verão. Para mais informações, consultar https://www.and-lab.org/rededeamigxs

 

🖤 BOLSA -50% ESTUDANTES, PARCEIRXS e PRATICANTES DO MO_AND

▪️5 vagas -50% (700-350 = 350€) - Para estudantes, pessoas vinculadas a colectivos/estruturas parceiras do AND Lab, praticantes regulares do MO_AND e/ou participantes em edições anteriores das Escolas e Laboratórios de Verão AND. A prioridade é dada a participantes oriundos de países fora da Zona Euro que acarretam com os gastos adicionais de uma viagem internacional e/ou de conversão de outras moedas para o euro.

 

🖤 BOLSA - 80% INTERSECCIONALIDADES

5 vagas -80% (700-550 = 150€):

▪️3 VAGAS para residentes em Lisboa ou arredores

Esta modalidade de bolsa foi pensada como modo de ampliar o acesso a participantes locais que não dispõem de condições financeiras para arcar com valor total do curso mas compartilham o desejo de criação de um grupo interseccional à volta de práticas político-afectivas encarnadas, que possa instalar-se na paisagem da cidade para um trabalho continuado e regular. O desejo e a disponibilidade para desdobrar o trabalho iniciado nesta escola de verão é, portanto, condição para solicitar a atribuição desta bolsa. Daremos prioridade a pessoas vulnerabilizadas por interseccões de raça, género, orientação sexual, origem social/nacional e corporalidades dissidentes.

▪️2 VAGAS para residentes fora de Portugal.

Esta bolsa contempla pessoas que, não podendo vir a fazer parte do grupo de prática regular que desejamos formar, por não residirem em Lisboa, ainda assim se encontram vulnerabilizadas por diversos atravessamentos sócio-culturais e políticos. Daremos prioridade a participantes oriundos/residentes de/em países da América do Sul, América Latina e África.

 

*ATENÇÃO:

▪️Pedimos que cada solicitante pondere, com franqueza e generosidade, as suas possibilidades e, ainda que se enquadre numa modalidade de desconto/bolsa, considere pagar o valor completo. Este gesto contribui para a viabilização da participação de outrxs em situação mais vulnerável; para a justa remuneração dxs que trabalham na realização da escola; e para a manutenção mínima das condições de existência do próprio AND Lab, que é uma estrutura artesanal e sem apoios estruturais. (Embora o AND Lab conte, este ano, com um apoio pontual da dg-artes, a escola de verão integra o projecto enquanto actividade geradora de receitas, pelo que se sustenta, como tem sido desde a sua primeira edição, somente com o valor arrecadado através das inscrições). 

▪️Para quem deseja participar e o pagamento do valor integral se revele impossível, e/ou não se enquadre nas situações de desconto/bolsa previstas acima, estamos disponíveis para pensarmos juntxs num justo meio (por favor contactar por e-mail).

▪️Aviso relativo a condições de acessibilidade: o Polo Cultural das Gaivotas não está equipado para receber pessoas que necessitem de cadeira de rodas. Para outras situações de diversidade funcional que seja relevante considerar na relação com práticas propostas no curso, estamos disponíveis para pensarmos juntxs as adaptações possíveis/necessárias (por favor contactar por e-mail).

 

 

:::::: FORMAS DE PAGAMENTO E CONFIRMAÇÃO DA INSCRIÇÃO ::::::

▪️Inscrições somente através do formulário online.  Dúvidas e questões, escrever para info@and-lab.org

▪️As vagas com descontos e/ou bolsa só são consideradas preenchidas quando confirmadas as inscrições. As inscrições só são efectivadas após envio de comprovativo de pagamento.

▪️PARCELAMENTO DOS VALORES: as inscrições podem ser pagas em duas prestações, com a condição de estarem inteiramente liquidadas até à data de início do curso.

▪️MODO DE PAGAMENTO: transferência bancária ou sistema PayPal.

 

 

:::::: ALOJAMENTO EM LISBOA ::::::

 

Este ano dispomos de 10 bolsas de alojamento nas residências artísticas do Polo Cultural Gaivotas-Boavista, em regime de quarto partilhado em apartamento com cozinha e casa de banho. As vagas destinam-se exclusivamente a participantes estrangeiros não-residentes em Lisboa e são atribuídas por ordem de inscrição. Este benefício pode ser acumulado com outros descontos/bolsas, enquanto houver vagas.

 

 

:::::: PARTICIPAÇÃO PARCIAL ::::::

▪️Participação apenas na Oficina Intro MO_AND (6 e 7 de julho, carga horária 10h) >> valor, 60€

▪️Não estão previstas outras modalidades de participação parcial, pois o curso foi pensado como uma experiência imersiva-intensiva, que dá prioridade à participação integral. Excepções podem ser consideradas, dependendo das condições (por favor contactar por e-mail).

 

 

:::::: OBSERVAÇÕES ::::::

▪️LÍNGUA: O curso será dado principalmente em português, com o recurso, sempre que possível, a hibridismos linguísticos vários e a traduções parciais, colaborativas e em acto (sem a pretensão da exactidão e/ou de dar conta de TUDO o que for dito), usando as habilidades precárias e imprecisas de que dispusermos enquanto grupo. Dentre xs proponentes do curso, podemos oferecer contributos em inglês, espanhol, italiano e francês; a isto soma-se também o estímulo a todxs xs participantes para que se juntem a nós num exercício colectivo de escuta e num esforço de experimentar os (i)limites do que pode ser traduzido: seja com a inclusão de contribuições nas línguas que em algum grau manejam; seja também na experimentação de vias alternativas para sintonizar sem necessariamente entender; seja, por fim e em suma, no cuidado colectivo deste desafio da compreensão recíproca (tanto dentro de uma mesma língua como entre-línguas), experimentando também a desestabilização do lugar privilegiado da comunicação verbal, lidando do modo mais explícito que pudermos com as doses consideráveis de pressupostos capacitistas que muitas vezes nos chegam embutidas no uso das línguas ditas francas (que quase sempre não são francas mas sim hegemónicas).  

▪️POLÍTICA DE DESISTÊNCIAS: Até 30 dias antes do início do curso, devolução de 50% do valor pago. Após este prazo, não há devolução.

▪️CERTIFICADOS, DECLARAÇÕES, CARTAS DE ACEITAÇÃO: Serão emitidos certificados de participação e frequência. Se for preciso, o AND Lab redige  declaração/carta de aceitação para participantes que se candidatem a financiamentos nos seus países de origem e/ou para fins de obtenção de visto para entrada em Portugal.

 

 

:::::: EQUIPA ESCOLA DE VERÃO AND #4 ::::::

▪️Concepção e Coordenação: Fernanda Eugenio

Artistas/investigadorxs convidadxs: Ana Dinger, Dani d’Emilia, Flora Mariah, Sílvia Pinto Coelho, Cristina Maldonado

▪️Cuidado e Preparação in situ: Ana Dinger, Dani d’Emilia, Fernanda Eugenio, Flora Mariah, Isabella Gonçalves

▪️Design e Comunicação: Alexandre Eugenio

▪️Documentação Audiovisual: A definir

▪️Contabilidade: Sílvia Guerra

▪️Residências de Investigação Associadas: Práticas de Des-Imunização (Roundabout.lx, Lisboa, set-nov 2018; Fernanda Eugenio & Dani d’Emilia); Residência de Investigação-Criação Do Irreparável I (Latoaria, Lisboa, dez 2018; Fernanda Eugenio & Ana Dinger); AND Cuidado (Vale das Princesas, Petrópolis, Jan 2019; Fernanda Eugenio & Iacã Macerata); MO_AND+Movimento Autêntico (Sesc Copacabana, Rio de Janeiro, fev 2019; Fernanda Eugenio, Soraya Jorge, Guto Macedo e Naiá Delion); MO_AND, Metálogo, Arrumação e ANDbodiment (Casa Quatro Ventos, Curitiba, mar 2019; Fernanda Eugenio, Ana Dinger, Francisco Gaspar Neto e Milene Duenha); MO_AND e Práticas Somáticas (Leviatã, São Paulo, mar 2019; Fernanda Eugenio, Ana Dinger, Naiá Delion e Patrícia Bergantin); MO_AND+Práticas de Des-Imunização (Mira Artes Performativas, Porto, abr 2019; Fernanda Eugenio, Ana Dinger e Dani d’Emilia); Residencia de Investigação-Criação Do Irreparável II (Latoaria, Lisboa, mai 2019; Fernanda Eugenio, Ana Dinger, Dani d’Emilia, Flora Mariah e Sílvia Pinto Coelho)

▪️Projecto de criação associado: “Metálogo #6 | os modos do irreparável”, de Fernanda Eugenio & Ana Dinger 

▪️“The Insider” é apoiado pelo Fondo Nacional de la Cultura y de las Artes (México) 

▪️Apoio não-financeiro: CML Polo Cultural Gaivotas-Boavista; roundabout.lx

▪️Esta edição da Escola de Verão AND insere-se no programa “AND Lab 2019 | Do Irreparável: o que pode uma ética de reparação?”, que conta com o apoio da Dg-Artes/República Portuguesa.

 

AND SUMMER SCHOOL #4 (2019) ::::::

 

5 to 20 July 2019 - Polo Cultural das Gaivotas, Lisbon (Portugal)

with Fernanda Eugenio and invited artists/researchers Ana Dinger, Dani d’Emilia, Flora Mariah, Sílvia Pinto Coelho (+ parallel activity with Cristina Maldonado)

 

NOTE: This call out is long as it includes A LOT of information. At the top you will find an initial ‘Brief Description & Schedule’ of the program and context in which it is situated. The next section ‘Proposition for 2019’ is a text that dives much deeper into this year’s focus, through a poetic landscape that experiments with different modes of stretching language as a form of worlding (making worlds through words). Please allow it the time it needs. The following sections include information on scholarships, discounts, deadlines, accommodation, participation modalities, payment methods, etc. For quick access to PRACTICAL INFORMATION PLEASE SCROLL TO THE BOTTOM.

For further questions, please email info@and-lab.org

 

 

:::::: BRIEF DESCRIPTION ::::::

 

The AND Summer Schools are an annual intensive program taking place in Lisbon. Each edition proposes a temporary zone of attention, experiential and collective investigation, having a transversal question at its core. Over a period of two weeks (totalling 100 hours), we propose an immersive time-space for the exchange of procedures for collective improvisation-creation and co-positioning (with/in) the common, working with/through the body as our main matter and the Modus Operandi AND as a driving and mediating tool. Through durational embodied experimentations and exercises of reciprocity and care for oneself and others we seek to generate attention to the processes and consequences of what (and especially how) we do and what that does to us in return: gestures, words, habits, perspectives, postures, modulations.

 

The summer schools are aimed at artists, researchers, and socially engaged practitioners of any field who are interested in materialising crystallised knowledge into inventive and (in)sufficient knowledge(s), through the investigation of the politics of togetherness and experiential (un)learning.

 

A variety of video trailers/documentation of previous summer schools and ANDlabs are available here: https://vimeo.com/andlab

 

 

:::::: SCHEDULE OF ACTIVITIES 2019 :::::: (subject to minor adjustments)

 

▪️5 July (Fri) 18-22h: Opening event at roundabout.lx, welcome dinner for the participants (optional) with video presentation-synthesis of the AND labs/schools.

▪️6-7 July (Sat/Sun), 15-20h: Introduction Workshop to Modus Operandi AND

▪️8-12 & 15-19 July (Mon to Fri) 10-13h: Tuning in practices with tools from the Modus Operandi AND, Attention Practices and Raba Power

▪️8-12 & 15-19 July (Mon to Fri) 15-19h: Sessions focusing on this year's question(s), with tools from Modus Operandi AND, Metalogue & Co-operation, Radical Tenderness, and Dis-immunisation Practices

▪️9-11 & 16-18 July (Tue to Thur) 19-20h: individual participation in The Insider (optional)

▪️20 July: Closure event (to be collectively discussed and organised during the program)

 

* NOTE: Lunch breaks will be between 13-15h. The weekend of July 13 and 14 is free.

:::::: PROPOSITION FOR 2019 ::::::

 

NOTE: We have included  an asterisk (*) beside terms that are based on play on words originally in portuguese, some of which we have briefly explained in brackets (these and other poetic stretches will be much better understood through the experiential engagement with the process itself). 

 

Repairing the irreparable*: embodying political-affective practices, exercising sensitive listening and experimenting with the dissenting powers of love

 

The fourth edition of the AND Summer School takes as a field of concern the open wound between the founding, hegemonic, and tendentially reiterative irreparability of the world-as-IS, and the (im)possibilities of embodying a world-as-WITH, through the consistent and sustained practice of an ethic of repair* (This term is a play on words from the portuguese term ‘reparar’, which encompasses various meanings such as re-stopping, re-attending, ie noticing as an inventory/invention practice, as well as repairing.)

 

As a strong commitment to the research and dwelling of this term, in the fold between the intimate and the political, we propose to investigate 'love' as a gesture of care-curation* (from the term in portuguese ‘curadoria’, which can mean both curating and caring/healing). We will be operating through a radical experimentation with the limits-tensions of reparation* - the central tool of the Modus Operandi AND; the unfolding of tactics of (an)courage* in the corporeal plane (a play on words from the term in portuguese ‘ancoragem’, which contains within it both the words anchor and courage); embodied practices of (auto)ethnography – capable of accompanying (us in) the political-affective struggle for what we want and can as communities; and of a microscopic, proximal and firm work with the dissidenting powers of this stain that we call 'love' - which is at once  diffused and already so marked/worn, reopening it as a force for dis-immunisation, the realisation of the ungovernable, as a mode-multiplicity of inter-wounding* (from the term in portuguese ‘interferir’, which contains within it both interference and inter-wounding).

 

To activate disseminated love as a non-reactive modulation of civil disobedience; an instrument of regeneration and collective curation; an exercise of destitution, dispossession and unlearning of (self)oppressive behaviours and, at the same time, of attunement by intersection and obliquity, by the improper and the extraneous. A force of strangership: of welcoming the inevitable discomfort implied in this stretching of the possible, the thinkable and, above all, of the feelable; of accompaniment in the risk, and of support of the unknown-unknowable. It is a practice of simultaneously giving (oneself) and continuing to have, combining and embracing the contradictions of both questioning the habitual contours of the notion of intimacy/privacy (their aspects which reproduce the logic of private capitalist property) and the affirmation of the autonomy of the body and its immanent rules, of its inalienable right to singularity and (re)invention.

 

To activate disseminated love as a committed training in the de-hierarchisation of attention, a situated practice of fairness and sufficiency, a way of resumption of the expropriated territories of desires, invisible forces and sensitive vocabularies so to circumscribe and validate them. Doing so to them and to a broader tuning plane, in which consent can increasingly mediate encounters, especially as a reciprocal support, a co(n)sensing.

 

In proposing this immersive space-time dedicated to the experiential and collective research of love as an exercise of care-curation and, therefore, of eventual trans-formation (reopening, surpassing going beyond form), we also wish to immerse ourselves in the infinitesimal and cosmic landscapes of the process of passing from the com-position to the position-with* (a play on words from the term in portuguese ‘composição’): to inquire, closely, in the body and in sensations, concrete modes of accompaniment, of the many other operations involved, disposing, de-composing, re-composing, re-positioning… Witnessing the affects that arise, until their dissipation, healing together the personal, and personally the together.

 

We wish to begin this delicate exercise of intimate-political curation by the tiny immensity of each participant; creating temporary zones of intimacy that may be less and less dependent on taste, choice, agreement, identification or understanding. To continue then, in a distributive way, experiencing, each time, the possible re-encounter with the workings of givings*. Not to plan change, to not even know what it should or may consist of. Not to aim at the great goal of jumping into another world (which in this way would turn out to be another world-as-IS) but to persist in reopening the consistency of forms and to have our backs in this passage. For “to love is never to be together, but to become together”.

 

And all this because investigating ways and tactics to attend (to) repair* will perhaps consist of presencing this abysmal and aporetic territory in which to repair* can coincide with destroying and killing. As to ethically kill the system could not begin otherwise than by killing it intimately, in a self-struggle for a sensitive decolonisation we are confronted with a commitment to (self)care and (self)love that involves, radically, researching modes of how (not) to die.

 

To the triggering question of the endless research to which Modus Operandi AND is dedicated to, around the politics of togetherness (how to live together?) then are attached other urgent and crudely concrete questions: how to die together? how to live alone? how to kill (oneself) without dying? how to close the irreparable cycle of ow(n)ing – the deed-fact of colonial-capitalist looting - and (re)enter into the cycle of giving? How to liberate love and make it the force of liberation for the attention-reparation* of any relationship, recognising that all our relationships are, in their own way, love relations (or that love is the form, perhaps the only form, of relationships themselves)? How to activate a loving struggle - this vigil without respite, this (im)possible and (im)precise navigation between complicity and reciprocity? How to take courage and become an anc(h)ourage*?

 

How to see and make visible the impermanence of things and from there derive an equanimous world? How to detoxify perception and make seeing simultaneously a bit more and a little less than the reproduction of a hegemonic worldview/cosmovision - in which seeing coincides with knowing and operates the illusion of separability? How to pass from seeing to attending/repairing*, which is an embodied mode of seeing through a presencing that senses? How can we move from a cosmovision to a cosmosensation and thus to a way of being aware of the inseparability and the delicate nearlyness* of everything that is / is becoming? How, from there, nearly-achieve an utopia perhaps even greater than the readiness to re-attend/repair* (to attend again to what interrupts the nexus of the known and the acceleration of expectation): to be pre-pared* in the double sense of moving from despair mode to detachment mode, and from control mode to support mode? Is it possible to phantomise oneself and (dis)appear, due to the realization of the phantoms/traces in everything that appears? Is it possible to tune in to the other sensitivities, vegetable and mineral, operating, each time, the des-illusion of lack, haste, purpose, objective, meaning, power, protagonism?

 

It is this, then, that draws the force field of this encounter: the desire to exercise the unmapping of love, to remake it experimentally as a result of presence and implication; as an embodied commitment with the equitable and consequent positioning in relation to the irreparable*, in its triple modulation:

The irreparable, that manifestation in the incalculable and indiscernible portion (of unpredictable and, perhaps, even inevitable) always present in everything there is; which does not cease to make explicit the non-knowing as a condition coincident with living, asking for openness and exposing the radical vulnerability that at the same time unites and separates us – and which can only move us together co(m)passionately*.

The irreparable, that which is implied in the irreversibility and unceasibility of any happening in itself, that throws us (in) the challenge of not withdrawing nor resisting, of not succumbing to indifference/impotence nor intransigence/attachment, finding, each time, the right measure of non-resigned acceptance, of co-responsive presence, of accompanying ourselves and each other in handling the emergent consequences of this unfolding, without appealing to narrative and creation of coherence, without intending to control.

The irreparable, finally, and above all, that which functions as structure of the world-as-IS, based on the irremediable and unamendable operation of usurpation/colonisation, which makes trauma the almost univocal mode of individuation, based on a proliferation of various versions of the same split, separating Subject and Subjected, perverting the cycle of giving (bond based on reciprocity and of the AND as basic connective) in a cycle of ow(n)ing (a perverse bond that is established, through the hierarchical fixation of roles – corrupting the giving into the privilege of giving orders, and the retributing into the obligation to obey – eliminating the sensitive listening that would activate the receiving as a situated and singular gesture).

 

The Modus Operandi AND, in its various (counter)devices for relational games and performative frequencies of reciprocity, will function as a transversal tool for this embodied research. In this edition of the Summer School, we will concentrate mainly on the modulations of MO_AND that are articulated from the body-board-territory*: ANDbodiment practices deployed in decomposition-repositioning and disposition-recomposition games and sensorial (auto)ethnography deployed in games of presence, (dis)appearance, and (im)permanence.

These will be combined with other tools such as the Metalogs and Co-Operation (Ana Dinger and Fernanda Eugenio), the Dis-Immunisation Practices (Dani d'Emilia and Fernanda Eugenio),  Radical Tenderness (Dani d'Emilia), Raba Power (Flora Mariah) and Attention & Distraction Practices (Sílvia Pinto Coelho). There will also be an open space at the end of each working day for talking, listening and assisted digestion as well as an after-hours optional experience for one participant each time with The Insider (a creation in process by Cristina Maldonado, with accompaniment of Fernanda Eugenio).

 

Fernanda Eugenio

March/April 2019,

in transit between

Rio, Curitiba, São Paulo and Brasília

 

:::::: ABOUT THE TOOLS AND PRACTICES ::::::

 

▪️MODUS OPERANDI AND, Fernanda Eugenio

 

The MODUS OPERANDI AND (MO_AND) consists of an ethic of Reparagem (noticing as an inventory-invention practice) and Reparação (repairing), systematised in a set of concept-tools and proposition-games that facilitate: the direct and experiential investigation of the workings/operations of the Event and of the Relation;  the explicitness of modes for the emergence and sustainability of metastable common events; awareness of the contingent-impermanent conditions of possibility of each encounter and of the political consequences of individual and/or collective positions/positionality; the refinement of abilities such as the non-hierarchical distribution of attention and the (re)inventory-trajectory of the possible, simultaneously in the plane of self-observation and in the plane of mapping the surrounding situation; training the capacity to be sensible and receptive to difference and the unpredictable/accidental, as well as training abilities of timely/suitable compearance*, situated decision-making and dissensual collaboration;  the transference of protagonism from the subject to the event, that is, the co-passionate practice of presence; the exercise of a consistent articulation between self-care and care of the milieu/surroundings and between speech and its concretisation; the exploratory attendance of dissensual dispositions, subjective and relational, for the intimate and social performance of affects, by means of researching alternatives to identity models and pre-defined and hierarchical scripts. The MO_AND relies on the activation of the (counter)dispositif of a non-competitive game with immanent rules that works as a means for the provisional delimitation of a zone of collective attention, as an accident simulator and as a propitiator of inside-outside simultaneity. The use of a frame - the board game – allows for the installation of ‘worlds within the world’ and the exploration of different scales of minimisation/maximisation of the (in)visible, as well as of reduction/augmentation of space and time, stimulating the development of a fractal sensibility, meticulous and attentive to the relational modulations of reciprocity (a fair in between complementarity and symmetry) and sufficiency (a fair in between efficiency and abandonment).

 

▪️METALOGUE & CO-OPERATION, Fernanda Eugenio and Ana Dinger

 

Unlike usual conversations, metalogues recover an operation proposed by Gregory Bateson: the commitment to make the conversation materialize what is being talked about. In the metalogue, the attempt is to perform with concepts or, if possible, to perform the concepts, performing intensive modes of thinking-in-relation. The effort is of presentation and not of representation, in the sense of overcoming, through use, tensions such as structure vs. matter and form vs. content. The work is, above all, to prepare the conditions for the encounter and that preparatory work (often also already metalogic) consists of mapping the surroundings of the problem and proposing tools, materials, formats or interfaces to be used. The metalogue inhabits different territories, each time resulting in a singular object. It is a program that recurs without relapsing, which is another way of saying that the procedure is repeated, though its materialization is always different. By rehearsing a perspectivist operative mode, the metalogue traverses the landscape of the problem using the tactic of the gift: the problem gains a body through receiving and reciprocating each position-taking. The metalogue is continued until the inaugural question is reformulated, by extension, into one or more questions. The ability to distinguish, in the duration of the encounter-perceived-as landscape, the performativity modulations that traverse a relation will perhaps be a way of treating (and training) the very 'performance of the encounter' in its dimension of consistency (instead of privileging a reductive coherence). This research focuses, on the one hand, on the in-between-2 as a starting point for the between-more-than-2, and, on the other hand, on the power of language as (re)formulation of worlds.

 

 

▪️DIS-IMMUNISATION PRACTICES, Fernanda Eugenio and Dani d'Emilia

 

With the desire to explore the relationship between intimacy and politics these practices experiment with proposing relational procedures as embodied political-affective landscapes of/for social transformation. Combining propositions stemming from their artistic-political research on radical tenderness & co(m)passionment, they investigate possible paths from the individual to the collective body, activating non-hierarchical and disseminated modulations of radical love as political resistence. Expanding love’s operability also as a 'strangership force', these practices call for an attunement to the improper and unfamiliar, moving beyond the logic of dis/identification and mis/understanding as (the only) basis for engaged relationality. (Re)claiming affective territories immunized by the mechanisms of indifference and/or identitary foreclosure within capitalist and colonial frames, these practices propose themselves as tools for deep listening, engagement and presencing of one another whilst committing to reciprocal care in the process, creating and holding each body with the courage and frankness involved in a continuous (re)imagining and (re)doing of ourselves, in/through each relation.  Creating the conditions for exercising this political practice involves accepting the risk and responsibility of circumscribing zones of temporary intimacy with the unknown and the unknowable, experiencing states of deliberate vulnerability as we explore the variable elasticity of permeability in each encounter.

 

▪️RADICAL TENDERNESS, Dani d’Emilia (www.danidemilia.com)

 

Radical tenderness is a term that Dani first encountered through her collaboration with the transnational performance collective La Pocha Nostra, with whom she worked between 2008-2016. Since then she has been engaged in a deeper quest to explore what radical tenderness, as a concept-practice-affect means and does at a personal, political and existential level. This practice explores the co-production of critical knowledge and political imagination through languages that go beyond rational and discursive realms. Working from the body, we investigate our ability to perceive others through multiple senses and modes of (un)knowing, inhabiting the contradictions, incoherences and vulnerabilities that arise in the process of daring to blur borders between notions such as identity and otherness, individuality and collectivity, tension and trust. Combining performance-pedagogy (performance art as a mode of encounter and a pedagogical process of unlearning), radical tenderness (a landscape for political-poetic resistance), transfeminist (intersectional and trans inclusive feminism) and decolonial (interrogating colonial legacies on our bodies and subjectivities) approaches, this work investigates possibilities of creating and nurturing political-affective communities and alliances that take into account – yet attempt not to reproduce – different forms of violence inherent in our construction as political subjects.

 

▪️RABA POWER, Flora Mariah

 

RABA is a research project and sharing of different techniques and approaches on pelvic mobility, sexuality and self-acceptance. With some technical exercises, the help of somatic practices and a lot of relation with the butt (raba means butt in portuguese), we work the pelvic mobility understanding this region in an integrated way in relation to the rest of the body. By activating the pelvic region through movement, we also activate many psychic, cultural, and social layers of our body, and we may come across old patterns, pains, and moorings therein crystallised in such a way as to hinder, and even prevent important passage to energy flows. It turns out that the place where we find what hurts and bothers us is also where we can find our strength, that is, it is within the wound itself that we find the wisdom to heal it. RABA is then an invitation to do this dive together, and embark on a process of discoveries about ourselves and rescue the pleasure with our own body. In a society where women's sexuality is still being watched over by patriarchy, it is important to understand that shaking our RABA also becomes an act of political resistance. So we gradually demoralise and decolonise our sexuality, understanding this exercise also as a generator of health. It is worth remembering that all RABAS are welcome, because we all benefit in an environment with empowered women.

 

▪️PRACTICES OF ATTENTION / DISTRACTION, Sílvia Pinto Coelho

 

This workshop on Practices of Attention and of Distraction works as a sensitive tuning field, a way to provide space-time for the AND Modus Operandi. The sensitivity of the propositions that Sílvia Pinto Coelho makes is aligned with her experience with a series of contemporary dance and somatic practices. The focus on "attention" - or on the "attention to the attention" -, and to the various senses, provides the autonomy of the careful choices as aesthetic and political stances. That is, le partage du sensible is built on a gymnastics of attention to perceptual choices. Most of the proposed exercises are organised around the sense of vision, around the possibility of seeing or not, as well as how what is seen if modified by how it is looked at. This work allows other layers of complexity to emerge from the initial structure offered in the intensive MO_AND introductory workshop. To inhabit a constituted field involves a process of delicate and re-situated adjustment, in each step, to find an implication. Something like oiling and tuning the machine as we use it. Sometimes this process has already co-habited us for a long time. The sensitive choice hidden in everyday life seems to elude a myriad of postures and ethical-aesthetic positions that we would like to experience attentively.

 

 

 

▪️THE INSIDER, Cristina Maldonado

 

The Insider is a one-to-one performance in process of creation (with the accompaniment by Fernanda Eugenio) which explores the possibilities of entering the world/perspectives of others as a way of investigating the relationship between simulation and empathy. The physical-interactive-sensory device under construction for The Insider will be shared experimentally, as an optional activity offered to one participant at a time, in an after-hours mode (after daily sessions). "Are you able to enter somebody else's world without simulating empathy? What is empathy without simulation and who is the ‘Insider’? In most of the VR-experiences, the audience member is immersed in the virtual world, displaced from immediate physical reality and loosing awareness of the body and surrounding environment. Insider plays with the opposite approach - VR is used to displace the viewer to intensify the experience of physical reality. The sense of touch places the viewer back to the reality where the sensory experience is part of a virtual realness. "

 

:::::: REGISTRATION FEES,  DISCOUNTS & BURSARIES ::::::

Total number of participants: 20

Total cost of the course: 700€

This summer school edition was thought of as an immersive-intensive experience so the only modality of partial participation available this year is for the initial workshop Intro MO_AND (6-7 July, 10 hours): 60€

 

For those who wish to participate in the full programe but can’t afford the full fee, we offer the following discounts and bursaries:

🖤 DISCOUNT FOR EARLY ENROLLMENT:

▪️By May 15th: 700-200 = 500€

▪️By June 15th: 700-100 = 600€

🖤 DISCOUNT FOR AND LAB'S FRIENDS NETWORK

▪️3 places are reserved for applicants who are subscribed to AND Lab's Friends Network and wish to subtract the annual amount donated from the cost of their enrollment in the Summer School. More info on AND’s Friends Network: www.and-lab.org/rededeamigxs

🖤 BURSARIES -50% STUDENTS, PARTNERS AND PRACTITIONERS OF MO_AND

▪️5 places available at 50% (700-350 = 350€) to students, people/organizations linked to AND Lab, regular practitioners of MO_AND and/or participants of previous editions of AND Labs & Summer Schools. Priority is given to participants from countries outside the Euro Zone who incur in additional international travel and currency conversion expenses.

🖤 Bursary 80% INTERSECTIONS

5 places available at -80% (700-550 = 150€), subdivided in the following categories:

 

▪️3 places for residents in or around Lisbon

This scholarship modality was designed as a way to increase access to local participants who don't have the financial conditions to afford the total course fee but share the desire to create an intersectional group around embodied political-affective practices that can engage in continued and regular work in the city. This desire to 'continue weaving together' is a condition for requesting this bursary. We will prioritize people who are particularly vulnerable to intersections of race, gender, sexual orientation, social and/or national origin, and/or dissident corporalities.

▪️2 places for participants who are not resident in Lisbon but also experience particular vulnerability due to intersections of race, gender, sexual orientation, social and/or national origin, and/or dissident corporalities. Priority will be given to participants from/in Latin America and Africa.

:::::: ACCOMMODATION BURSARIES ::::::

This year we can offer accommodation bursaries to 10 participants within the artistic residences of the Polo Cultural Gaivotas-Boavista  (shared room in apartment with kitchen and bathroom). The vacancies are exclusively destined to foreign participants who are not resident in Lisbon and are assigned by order of registration. This benefit can be accumulated with other discounts/scholarships as long as there are vacancies.

PLEASE NOTE:

 

▪️We ask each applicant to consider their financial possibilities with honesty and generosity. Even if you fall into a discount/bursary category please consider whether you are really not able to pay the full fee, or an amount closer to it. If/when feasible, this gesture contributes to the viability of the participation of others in a more vulnerable situation, to the fair remuneration of those working in the school as well as to the maintenance of the basic conditions of existence of AND Lab itself, which is an autonomous and independent structure with no regular funding support. (Although this year AND Lab has received the support of dg-artes, the summer school integrates the project as a revenue-generating activity, which means that, just as in all previous editions, it will have to sustain itself solely through revenue generated via registration fees)

 

▪️For those who really wish to participate, cannot pay the full fee, don't fit any of the discount situations described above and/or have some minor adjustments re the schedule, please contact us by email so we can think together about possibilities.

 

▪️Regarding accessibility conditions: The venue in which the school will be taking place (Polo Cultural das Gaivotas) is unfortunately not yet wheelchair accessible. For other situations of functional diversity that should be considered in relation to the practices proposed in this edition please email us so we can think together of necessary/possible adaptations.

 

:::::: REGISTRATION & PAYMENT METHODS ::::::

▪️Registration through the online form only. For questions please email info@and-lab.org

▪️Registration fees can be paid via bank transfer or paypal.

▪️If needed, fees can be paid in two installments, provided they are fully settled until the start date of the course.

▪️Registrations are only effective (and any discounts and/or scholarship vacancies are only considered filled) once payments are confirmed.

:::::: FURTHER OBSERVATIONS ::::::

 

▪️LANGUAGE: The program will be facilitated mainly in Portuguese, with the use of various forms of linguistic hybridity and, whenever possible, of partial-collaborative-on-the-spot translations using the precarious and inaccurate skills we have as a group (without claiming accuracy and/or accounting for EVERYTHING that is said). Among the facilitator team, we can offer contributions in English, Spanish, Italian and French; we also encourage  all participants to join us in a collective exercise of attentive and creative listening, in an effort to try the (un)limited possibilities of what can be translated and how: be it with translation contributions in languages that each one may know, or experimenting alternative ways to tune in with each other beyond the usual modes of understanding. We invite participants into the collective care of this challenge of communication (both within and between languages), which may also include experiencing the destabilization of the privileged place of verbal communication, dealing in the most explicit way we can with the  presuppositions and complexities embedded in the use of so-called "linguas francas" (which are almost always hegemonic/colonial languages).

 

▪️CANCELLATION POLICY: 50% of the payment will be refunded to cancellations taking place up to 30 days before the start of the course. No refunds will be possible after that date.

▪️CERTIFICATES, DECLARATIONS, LETTERS OF ACCEPTANCE: Participation and attendance certificates will be issued. If necessary, AND Lab can write a statement / acceptance letter to participants applying for funding in their home countries and / or for obtaining a visa for entry into Portugal.

::::: AND SUMMER SCHOOL# 4 COLLABORATING TEAM ::::::

 

▪️Concept and Coordination: Fernanda Eugenio

Invited Artists / facilitators: Ana Dinger, Dani d'Emilia, Flora Mariah, Sílvia Pinto Coelho, Cristina Maldonado

▪️On-site preparation: Ana Dinger, Dani d'Emilia, Fernanda Eugenio, Flora Mariah, Isabella Gonçalves

▪️Design and Communication: Alexandre Eugenio

▪️Audio Audiovisual documentation: TBC

▪️Accounting: Sílvia Guerra

▪️R&D residencies: Dis-immunization Practices (Roundabout.lx, Lisbon, Sept-Nov 2018; Fernanda Eugenio & Dani d'Emilia); Residência de Investigação-Criação Do Irreparável I  (Latoaria, Lisbon, Dec 2018; Fernanda Eugenio & Ana Dinger); AND Cuidado (Vale das Princesas, Petrópolis, Jan 2019; Fernanda Eugenio & Iacã Macerata); MO_AND + Authentic Movement (Sesc Copacabana, Rio de Janeiro, Feb 2019; Fernanda Eugenio, Soraya Jorge, Guto Macedo and Naiá Delion); MO_AND, Metálogo, Arrumação e ANDbodiment (Casa Quatro Ventos, Curitiba, March 2019; Fernanda Eugenio, Ana Dinger, Francisco Gaspar Neto and Milene Duenha); MO_AND and Somatic Practices (Leviathan, São Paulo, March 2019, Fernanda Eugenio, Ana Dinger, Naiá Delion and Patrícia Bergantin); MO_AND + Dis-immunization Practices (Mira Artes Performativas, Porto, April 2019; Fernanda Eugenio, Ana Dinger and Dani d'Emilia); Residencia de Investigação-Criação Do Irreparável II (Latoaria, Lisbon, May 2019; Fernanda Eugenio, Ana Dinger, Dani d'Emilia, Flora Mariah and Sílvia Pinto Coelho)

▪️Related Artistic Project : “Metálogo #6 | os modos do irreparável”, by Fernanda Eugenio & Ana Dinger

▪️"The Insider" is supported by the National Fund for Culture and Arts (Mexico)

▪️Non-financial support: CML Polo Cultural Gaivotas-Boavista; roundabout.lx

▪️This edition of the AND Summer School is part of the "AND Lab 2019 | Irreparable: what can a repair ethic? ", which has the support of Dg-Artes / República Portuguesa.

Projecto AND Lab 2019

DO IRREPARÁVEL: O QUE PODE UMA ÉTICA DE REPARAÇÃO?