Manifesto. Dos modos de re-existência: um outro mundo possível, a secalharidade

Fernanda Eugenio (versões revistas 2014 e 2011; versão orginal 2010)

 

Texto original de Fernanda Eugenio escrito como parte do seu projecto de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Unversidade de Lisboa, em 2010. Em 2011, foi tornado público numa versão assinada em conjunto com João Fiadeiro, por ocasião da proposição do projecto colaborativo AND Lab, acolhido pelo Atelier Real até 2013. Em 2014, foi revisto mais uma vez, recuperando-se a escrita original.

 

Para citar este texto | In order to cite this text:

 

2014. (versão revista; original de 2010). Manifesto. Dos modos da re-existência: um outro mundo possível, a secalharidade [on-line]. Disponível em: AND DOC | Acervo Digital do AND Lab.

1. O regime do “é”: a Modernidade e a existência como cisão entitária

 

Com frequência imaginamos a existência como algo que se desenrola dentro dos contornos que separam e permitem distinguir o eu do mundo e inauguram-na – ela própria, a existência – como mobilização infinita[1] empenhada na inesgotável tarefa de extrair o significado da “realidade”.

Este modo de operação – o do sujeito moderno em busca da explicação da realidade-objecto, ou o do sujeito-artista a “inventar realidade” para espectadores-objecto – está todo ele assente sobre um pressuposto entitário, segundo o qual a substância ou o ser (o “é” unívoco de cada coisa, dada por sujeito ou por objecto) antecedem as relações e as determinam. O pressuposto de que a “realidade” é um objecto “de verdade”, com leis de funcionamento e sentidos intrínsecos, e o pressuposto de que nós próprios, seres humanos, também temos um motivo (ainda que oculto) para estarmos vivos nesta “realidade”.

Sem dúvida, este é um modo de existir. Mas miserável e resignado, pois esquece-se voluntariamente e à partida, em troca de uma sensação qualquer de segurança (“Há uma razão para tudo isto, tem que haver”), que esta é uma imagem de mundo, e toma-a pelo mundo em si. Fixa os termos em relação como cindidos e complementares – o sujeito e o objecto – e ocupa-se em reproduzi-los ad nauseum em séries de oposições binárias, mutuamente exclusivas e ao mesmo tempo perversamente simbióticas: a única forma concebível de relação é, então, aquela em que o outro fica a ser mais outro e o eu, mais eu, a cada vez em que se defrontam. Desenha-se a certeza da existência como cisão, não como relação. Cisão entre sujeito e objecto, mas também entre verdade e ficção, forma e conteúdo, razão e emoção, pensamento e acção, corpo e mente, cientista e artista, artista e espectador, mestre e aprendiz, etc.

2. O regime do “ou”: a Pós-Modernidade e a resistência como cisão cambiante

 

Este regime de operação da existência, embora dominante no Ocidente moderno, nunca esteve em marcha sozinho: viu-se perturbado à partida com a concorrência disrruptiva de um outro funcionamento. Pois com frequência resistimos a essa imagem do mundo e duvidamos (“Haverá mesmo uma razão para tudo isto? Não serão muitas as razões? Ou nenhuma?”).

Os contra-discursos que injectam alternâncias interpretativas sobre as explicações – estas que supostamente apenas traduzem ou descobrem o “é” de conteúdo apriorístico de todos os entes e coisas da partilha sensível moderna – se inauguram praticamente ao mesmo tempo do que ela. Apoiados no mesmo pressuposto entitário de que os termos da relação têm contornos que a antecedem, eles insurgem-se, entretanto, contra a hierarquização e o estancamento dos conteúdos “envelopados” por cada contorno: sugerem a possibilidade de alternância, sugerem a simetrização dos termos ao tornar pensável a cambialidade dos seus conteúdos. Contra a prisão viciosa da complementaridade que embala em sono dogmático aquilo a que chamamos de Modernidade, imaginamos diversas vezes e em muitas esferas da própria Modernidade, um mundo no qual o “é” convicto foi pensado em termos de “ou” oscilante.

Amplo movimento que despontou aqui e ali, outrora e hoje, nas artes e nas ciências, discurso que conviveu com o “Planeta Logos” moderno desde a sua fundação, na condição de sua “Lua Romântica”, e se tornou visível com contundência (porque se nominou: a Pós-Modernidade) a partir de meados do século passado. Um mundo em que a existência é experimentada como “resistência”, que, no entanto, só faz proliferar os disciplinados binarismos “conteudistas” do regime moderno em um batalhão de certezas incertas. Proliferação de “Eus”, proliferação de “artistas”, resultante da pretensão de cancelar a relação hierárquica “sujeito versus objecto” através da proclamação – e mesmo, às vezes, da ordenação mandatária – de sua simetrização.

Julga-se assim superar a cisão “sujeito versus objecto”, não através da supressão da própria cisão, mas da deliberação de que esta separa, isso sim, “sujeitos versus sujeitos”. Há, então, tão somente uma troca dos elementos divididos pela cisão – ela própria, no entanto, é conservada. O objecto, o dado ou a realidade são aí suprimidos como certezas, substituídos pela interpretação e pela aleatoriedade cambiante dos conteúdos, pelo jogo com sentidos liberados, pelo igualitarismo também ad nauseum que se prolifera em ou, ou, ou.

Se no regime sensível moderno, a agência, a intencionalidade, a existência, são encerradas na lista de atributos exclusivos do sujeito, no regime do “ou” todo objecto ou ente é elevado à condição de agente identitário “igual”. Mas condenamo-nos, nesta partilha do sensível, à arbitrariedade de intencionalidades, que concedem na existência equiparável das demais apenas sob a condição inevitável de fazerem-se surdas umas às outras. “Tudo pode”, festejo triste da suposta morte dos binarismos e das hierarquias, assentado no entanto no binarismo inalterado que só enxerga as alternativas opostas da rigidez ou da “liberdade” espontaneísta e sem bússola dos mil pequenos tiranos que seriam cada um de nós – as pessoas “comuns” agora “autor-izadas” a intervir cada qual com sua opinião, zelosamente sacralizada pelo relativismo reinante.

Troca-se assim a rigidez de uma existência segura porém miserável pelo liberalismo da resistência, não menos miserável, do desejo de alternativas, que por fim não instaura outra coisa senão um generalizado “tanto faz”.  Se no primeiro regime zela-se pela certeza das “condições iniciais” (a realidade que “já é” desde o princípio), no segundo zela-se por sua conspurcação em realidade qualquer. Algum ganho de mobilidade, de fato, na medida em que a explicação unívoca se fragmenta na polifonia da “diversidade” interpretativa das visões de mundo. Mas a brecha na representação não tarda em se suturar: a interpretação entra com ainda mais pressão no ralo da autoria que a explicação por ela criticada.

Essa existência “autónoma” e desgovernada é conquistada, nesse modo de vida, ao preço de perpetuar e mesmo agravar a lógica da cisão entitária. Se na complementaridade moderna alguma relação se pratica, ainda que simbiótica, birrenta em sua reiteração em loop do eu e do outro, do sujeito e do objecto, na imagem de mundo pós-moderna desenha-se a assepsia anti-relacional do relativismo. Um mundo de simetria generalizada, um mundo que é o nosso mundo, cada vez mais, nesses tempos de multiculturalismo e inclusão politicamente correctos.

3. O regime do “e, e, e…”: a des-cisão e a re-existência

 

Mas… e se imaginássemos um outro mundo possível? Um terceiro regime sensível, nem complementar nem simétrico? Um mundo em que existir não fosse reproduzir ou rebelar, e em que resistir não consistisse no cancelamento da relação? Um modo de vida em que a coisa toda não se resumisse à certeza ou à alternância, ao sonho com a concordância consensual ou à omissão indiferente?

Um mundo no qual a diferença não fosse identitariamente congelada, como no regime moderno, mas tão pouco fosse cancelada na indiferença do “tudo pode” pós-moderno. Um mundo no qual a diferença pudesse se propagar em sua assimetria infinitesimal, sem ser oferecida em sacrifício para que haja encontro, e no qual tão pouco o encontro precisasse ser sacrificado para que houvesse simetria? Um mundo dissensual[2], em que o viver juntos fosse feito do cromatismo microscópico dos ritmos singulares? Fantasia de idiorritmia[3], de comunidade, devir-minoritário[4] que circula e circulou entre os dois outros regimes, activando-se aqui e ali, na maior parte das vezes de modo fugaz, bacteriano e invisível. Fantasia de torná-lo habitação, de o visibilizar numa ética do suficiente (não do necessário, muito menos do compulsório) em relação à proclamação do Eu. Um mundo que se inaugura não a partir da cisão, mas do esforço por perpetuar a relação ou a “des-cisão” produzindo como plano comum de atuação o Acontecimento.

Eis uma terceira imagem do pensamento – e da acção, que neste caso não se opõem: a da reciprocidade. Uma terceira imagem não assentada no pressuposto da entidade, da espécie, do contorno prévio ao encontro, mas na qual arriscamo-nos a experimentar com as gradações da relação, com a diferencialidade da diferença: e, e, e… Um modo de vida em que não temos de escolher entre a existência conformada ou a resistência dos libertarismos tiranos, onde temos de nos aplicar a um rigoroso (mas não rígido) trabalho de re-materialização[5] de ambos os movimentos na operação da “des-cisão”: decisão de des-cindir, de prescindir do entitarismo, da certeza (ou da desesperada busca pela certeza perdida pós-moderna) de que “sou” como condição para o encontro. Re-existir a cada encontro, ser a conseqüência, e não a causa, da relação.

E isto porque nos parece que resistir, se não for re-existir, não atinge a relatividade: morre no relativismo. Não atinge a relação, morre na compulsorização da interatividade ou na trincheira da negação inconformista.  Se o propósito positivo é a continuidade vital, então falemos antes em re-existência, em resiliência: a força flexível da fragilidade adaptativa, que reside na explicitação molecular e na aceitação re-inventiva, no lidar com “o que se tem” mais do que na insistência rígida da negação ou na desistência indiferente do consentimento.

Este é um problema que atravessa as práticas artísticas e a vida em comunidade. Accioná-lo e freqüentá-lo nos coloca para além de uma lógica sectorial a delimitar áreas de conhecimento e campos artísticos, e nos devolve a awareness ética e política de que fazemos nossos próprios factos e estes nos fazem em retorno[6] – de maneira que podemos e devemos nos responsabilizar por nossos modos de viver juntos e nossos modos de criar mundo. Não há espectadores; não há artistas, somos todos (quer assumamos a responsabilidade ou não) artesãos do nosso próprio convívio.

4. Investigar um outro mundo possível: a emergência da secalharidade

Será neste lugar-questão que se situará o presente projecto de investigação: nos modos de “fazer problema” à antropologia contemporânea e aos modos sociais do viver junto colocados pela Etnografia como Performance Situada e do Sistema E, tal como tal praticados por Fernanda Eugenio.

O projecto (tal como acontece com este texto) adopta a forma do metálogo[7] – do pensar-fazer do próprio através do pensar-fazer do outro, contaminação e re-invenção cruzada de problemas, questões e modos de funcionamento. O metálogo: deslocar para existir (eis o re-existir), empenho na manutenção-propagação da abertura e do dissenso; recusa à concordância desejavelmente conclusiva do diálogo. Uma investigação sobre a existência/resistência entendida e vivida como re-existência. Portanto, não como acto de “colocar-se contra”, mas como acto de “colocar-se com”. Daí a importância crucial de se alargar a compreensão do que seja uma composição: muito claramente, um “pôr-se com” o outro, a posição de cada agente dada pela relação com os demais, a posição conseqüente, a “com-posição”.

Será uma proposta de habitação colaborativa: a da investigação sobre modos de operacionalizar um mundo outro que não o da cinética moderna e pós-moderna da mobilização infinita. O que envolve, antes de mais, um enorme esforço por retroceder da Acção e do Eu, um esforço por estancar o imediatismo impulsivo de conhecer e saber “o que aquilo é”. Um esforço “subtractivo”: subtracção[8] do Eu e do Porquê (da fixação pelo significado, em sua forma explicativa ou interpretativa) a fim de extrair o retorno à simplicidade do “direito de seguir”, ou seja, do sentido entendido tão somente como direcção emergente e não-teleológica. Um esforço, então, por colocar como pergunta primeira a explicitação do que “temos” mutuamente para oferecer, a cada vez, como matéria da relação.

Orienta este projecto um empenho por reformular a pergunta, na confiança de que um mundo novo não se inaugura quando encontramos respostas, mas quando mudamos as perguntas. Não perguntar pelo Ser (“o que é que isto é?”), mas pelo Ter[9] (“o que é que isto tem?”). Trabalhar para tornar visíveis as affordances[10] (as propriedades-possibilidades que convidam ao encaixe relacional contingente) é, assim, também um esforço por não operar nem indutiva nem dedutivamente, mas abdutivamente.[11] Um esforço por retroceder do que é vidente (o evidente) e abrir intervalo para que se traga à superfície aquilo que o vidente obscurece (ou “obvia”).

O “motor” deste funcionamento é, assim, a pausa: não a cinética incansável do “to understand”, mas a sua inibição, desafio de permanecer no adiamento da acção, no intervalo do “stand”.

Nesta velocidade que não é movimento, a criação encontra um território inteiramente outro para fixar o seu sentido: nem criação no sentido bíblico (a partir do zero fazer o “é”), nem no sentido romântico (a partir do “é” do artista fazer, por capricho, o “zero”). Mas criação como estigmergia: trabalho colectivo, sem sujeito e sem objecto; trabalho ilimitado de re-materialização daquilo que emerge da relação; trabalho com o que se tem a cada vez e com o que fica, com as marcas e os rastros do viver juntos. Trabalho no qual ocupamo-nos tão somente em distrairmo-nos suficientemente do Eu para activar a atenção ao entorno e ao manusear não-manipulativo dos encaixes possíveis, à calibragem fina entre o persistir e o desistir para, então, re-existir.

Criação que emerge porque nos abstemos do controle e do protagonismo e disponibilizamo-nos enquanto ferramentas “menores”, enquanto gamekeepers[12] do “desenho cego” do Acontecimento. Criação, assim, como autopoiesis[13] do comum. Como serendipidade – encontrar aquilo que não se buscava, que não se sabia, que não se desejava, que não foi criado por nenhum autor em particular, mas que é feito dos encontros em rede de ilimitados contributos anônimos (sem nome, sem Eu). Encontrar aquilo que “calhou” ou aconteceu.

Esta é, assim, uma investigação sobre um outro mundo possível, nem o da modernidade nem o da pós-modernidade. Talvez, quem sabe, o da Secalharidade.

5. Tetralema: o projecto como processo iterativo

 

Esta proposta pós-doutoral ir-se-á desdobrar, também, num projecto de investigação colaborativa (entre as ferramentas que venho desenvolvendo e aquelas praticadas pelo coreógrafo João Fiadeiro, cuja estrutura Re.Al acolherá a pesquisa por 9 meses, entre Setembro de 2011 e Junho de 2012), que funcionará simultaneamente enquanto projecto piloto para criação de um Centro de Investigação dedicado às políticas da convivência.

O Curso, a Criação e o Livro, três dimensões de um mesmo esforço para pensar e operacionalizar o viver juntos recíproco (no quotidiano e na criação artística).

Ao accionarmos dispositivos tais como um curso, uma criação e um livro estamos atentos à carga simultaneamente imprescindível e perigosa deste movimento. Por um lado, exteriorizar e pronunciar – tomar posição, largando o devir-imperceptível a que a exploração rigorosa e delicada da reciprocidade poderia conduzir –, é fundamental para “fixar a bandeira pirata” do modo de vida da secalharidade, activando-o enquanto acontecimento inquietante, suficiente para fazê-lo emergir no plano do visível e devolver-lhe a clareza da sua textura dissensual. A ambição será a de reabrir de forma séria o debate que o relativismo pós-moderno tem logrado anestesiar sob a forma interativa de uma mera tolerância asséptica, entre o indiferente e o festivo, na maior parte das vezes apenas discursiva.

No entanto, se para afetar o visível é preciso ceder e frequentar seus modos de operação, então que esta seja uma consessão mínima, apenas a suficiente. Pois há todo um conjunto de perigos a desactivar para reabilitar esses dispositivos de poder, hierarquia, distinção, legitimação e domesticação que são as ferramentas pedagógicas, artísticas e científicas: velhas estratégias modernas de (re)produção de verdade, certeza, definição, comando. Como então fazê-los instrumentos de um “uso menor”, transformá-los em lugar de encontro, quando sabemos o quanto estão comprometidos com uma vocação quase irresistível e já há muito automatizada para a recognição, para a fixação do significado reiterativo?[14]

Como conjurar, ao mesmo tempo, a reiteração e a interação? Porque já não basta quebrar o círculo reiterativo da moderna partilha hierárquica mestre/aprendiz, artista/espectador, cientista/leigo (todas modalidades da oposição sujeito versus objeto, ou sujeito versus sujeitado) proclamando “no grito” a pseudo-relação pós-moderna da interatividade igualitária.

Parece-nos que para encarar e enfrentar estes “monstros” em suas próprias casas (a escola, o teatro ou o livro) teremos que desenvolver formas de disponibilidade para abrir os lugares fechados da transmissão, da criação e da escrita através da contaminação recíproca de seus modos de operação. Disponibilidade para traí-los[15] uns com os outros; para estar sempre entre eles.  Para trabalhar na iteração, modo de relação em espiral, que não é nem a interação (que a cada ciclo relacional retorna ao zero) nem a reiteração (cujos ciclos são círculos, ou meras confirmações). Desalojar, assim, cada um desses dispositivos de cisão que são a aula, o espetáculo e o conceito e usá-los, deslocados, para perturbar o desenrolar pacífico dos demais, para propor indagações, para abrir possibilidades, para alterar os seus regimes e expor os seus pactos tácitos. Para desfigurar e desorganizar[16] as suas demarcações e manter vivo o incómodo. O incómodo será, talvez, o único anti-corpo capaz de proteger o metálogo de sucumbir, seja ao monólogo da reiteração, seja ao diálogo da interação.

Esse projeto de imunologização cruzada dos dispositivos curso, criação e livro acciona-os, pois, com a condição (mais uma vez) de “des-cindi-los”. Desenha-se sob a forma do tetralema[17]: o curso é curso apenas na medida em que, simultaneamente, não é curso, é criação e livro, não é nem criação nem livro. A criação é criação apenas na medida em que, simultanemanete, não é criação, é curso e livro, não é nem curso nem livro. E o livro é livro apenas na medida em que, simultaneamente, não é livro, é curso e criação, não é nem curso nem criação.

6. O programa

 

Temos assim um ambiente mínimo, feito de todas essas gradações, como lugar de encontro. Eis o programa[18] da investigação: um conjunto de questões, mas não um tema; um propósito, mas não um motivo; uma disponibilidade, mas não uma causa. Um ponto de partida rigoroso, justamente para permitir a flexibilidade de fazer passar algo que ainda não sabemos (…que sabemos).

A sensibilidade às ‘condições iniciais’ (S.I.C.) de um encontro

a) Do (É)vidente ao OB(vio):  o trabalho sobre as ‘condições iniciais’

b) There is no why, There is no I. O trabalho da subtracção

c) Subtracção e Re-materialização: do instinto ou segundo-instinto à emergência

d) Da cisão à des-cisão: as affordances e o protocolo da relação/diferença

e) Fica o que re-existe

O trabalho de menorização e o valor da tomada de posição

a) Ética do suficiente e imunologia: da acção Maior (gardening/manipulação) à acção Menor (gamekeeping/manuseio)

b) O que levar à mistura: desertar-se, o trabalho microscópico sobre si

c) Memória e acontecimento: de como por fim existir (pôr fim e existir)

Modos de viver e política: nem consenso nem não-senso, o trabalho pelo dissenso

a) Da modernidade à secalharidade.  Do Ser ao Ter. Do é/ou ao e, e, e…

b) Do globo à esfera. [19] Da frontalidade sujeito/objecto ao entorno relacional.  Da Linha ao Quadrado

c) Dimensões do Quadrado e formas de relação: o par, a comunidade

d) Des-autorização e Com-posição

Práticas de criação e de encontro: a chegada na representação

a) Dramaturgia como desenho cego ou de como não espantar o acontecimento: fazer-se pedra, fazer-se elástico

b) Nem indução nem dedução: abdução e serendipidade

c) Chegar à representação (e não partir dela): o encontro com o espectador e a partilha de responsabilidades

 

Manifesto. Modes of re-existence: another possible world, mayhapness

(Translation by Paula Caspão)

1. The regime of the “is”: Modernity and existence as a scission of entities

We often imagine existence as something that unfolds within the contours that separate and differentiate the I from the world, inaugurating it – the very existence – as an infinite mobilization[1]  engaged in the inexhaustible task of extracting meaning from “reality”.

This operating mode – the one of the modern subject in search of an explanation for the object-reality, or the one of the artist-subject “inventing reality” for object-spectators – is entirely based upon an entitarian presupposition, according to which the substance or being (the univocal “is” of each thing, given as a subject or an object) precede and determine relations. In short, the assumption that “reality” is an object “of truth”, with functional laws and intrinsic senses, and the assumption that we ourselves as human beings also have a reason (even if hidden) to be alive in this “reality”.

No doubt this is a mode of existing. But a poor and resigned one, for it immediately and voluntarily forgets itself in exchange of some sensation of safety (“There is a reason for all this, there has to be one”), forgetting this is an image of the world, taking it for the world itself. It sets the terms of the relation as scission and complementary – the subject and the object – and commits to reproducing them ad nauseum in series of binary oppositions, mutually exclusive and yet perversely symbiotic: the only conceivable form of relation then, is the one where the other becomes more and more the other, and the I the I, each time they are confronted. The certainty of existence is designed as a scission, not as a relation. A scission between subject and object, but also between truth and fiction, form and content, reason and emotion, thought and action, body and mind, scientist and artist, artist and spectator, master and apprentice, etc.

2. The regime of the “or”: Post modernity and resistance as a changing scission

 

This operating regime of existence, however prevailing in Western modernity, never worked all alone: it was from the start disturbed by a disruptive competition with another working mode. Since we often resist to that image of the world and doubt (“Is there really a reason for all this? Aren’t there much more than only one reason? Or none?”).

The counter-discourses that introduce interpretative changes in the explanations – the ones supposed to merely translate or unveil the “is” of the aprioristic content of all entities and things within the modern distribution of the sensible – get under way practically at the same time. Based upon the same entitarian presupposition according to which the terms of a relation possess contours that precede it, such discourses rise up against the hierarchical organisation – against the coagulation of the contents “wrapped up” in each contour: they suggest the possibility of change – they suggest the symmetrisation of the terms, namely by making the exchangeability of their contents thinkable. Against the vicious prison of complementarity, which lulls what we call Modernity in a dogmatic sleep, we very often imagine, in many spheres of Modernity, a world where the positive “is” has rather been thought as an oscillating “or”.

A wide movement that emerged here and there, then and now, in the arts and sciences, a discourse that coexisted with the modern “Logos Planet” since its foundation, in the role of its “Romantic Moon”, becoming resoundingly visible (as it was named: Post-modernity) from the mid-20th century on. A world where existence is experimented as “resistance”, but that only makes the disciplined “content-based” binaries of the modern regime proliferate as a crowd of uncertain certainties. Proliferation of the “I”, proliferation of “artists, resulting from the pretension to cross out the hierarchic relation “subject versus object” through the proclamation of its symmetrisation – and even, sometimes, through the mandatory order to symmetrise it.

This is the way in which the “subject versus object” scission is supposedly suppressed, i.e. not by suppressing the scission itself, but by deliberating that it rather separates “subjects versus subjects”. In other words, what happens is merely a swap between the elements divided by the scission – keeping the scission as such. The object, the given fact or reality are suppressed as certainties, to be replaced by interpretation and by the changing randomness of contents, by the play with liberated senses, by the once again ad nauseum equalitarianism that proliferates in the or, or, or.

While in the modern sensorial regime the action, intentionality, existence are enclosed in the list of attributes exclusive to the subject, in the regime of the “or” any object or entity is elevated to the condition of “equal” identitarian agent. But in this distribution of the sensorium we are doomed to the arbitrary of intentionalities that can only tolerate the equitable existence of the others on the unavoidable condition that they can do as if they were deaf to one another. “Anything goes”, a sad celebration of the supposed death of binarism and hierarchies, yet based on the unchanged binarism that can only see the opposed alternatives either of the rigidity or the compassless spontaneist “liberty” of the thousand little tyrants that each of us would be – the “common” people now “author-ised” to intervene, each with her own opinion, caringly sacralised by the prevailing relativism.

The rigidity of a safe though impoverished existence is thus replaced by the not less impoverished liberalism of resistance, of the desire for alternatives, which can only establish a generalised “never mind”. If there is, in the first regime, a devotion to the certainty of “initial conditions” (a reality that “is already” there from the start), in the second one there is a devotion to its degradation into no matter what reality. Indeed, mobility increases, in the sense that the univocal explanation gets fragmented in the polyphony of an interpretative “diversity” of world perspectives. But the representation breach soon finds itself stitched up: interpretation enters the authorship drain with far more pressure than the explanation it intended to criticise. In that living mode, that “autonomous” and misgoverned existence is achieved at the expense of perpetuating, and even worsening, the logic of the entitarian scission. Whereas in the modern complementarity some kind of relation is practiced, as symbiotic as it may be – obstinate in its looping reiteration of the I and the other, the subject and the object – in the postmodern image of the world emerges the anti-relational acetic face of relativism: a world of generalised symmetry; a world that is more and more our world, in these times of multiculturalism and politically correct inclusion.

3. The regime of the “and, and, and…”: de-scission and re-existence

But… what if we imagined another possible world? A third sensorial regime, neither complementary nor symmetric? A world where existing wouldn’t  be reproducing or rebelling, and where resisting wouldn’t consist in the closure of relations? A living mode where the whole thing wouldn’t amount to certainty or changeover, to the dream of consensual agreement or to indifferent omission?

A world where difference wouldn’t be frozen according to identities, as in the modern regime, but that wouldn’t be erased by the indifference of the postmodern “anything goes” either. A world where difference could spread in its infinitesimal asymmetry without having to be sacrificed in the name of encounters, and where encounters wouldn’t have to be sacrificed in the name of symmetry either? A dissensual world[2], where living together would be made of the microscopic chromatics of singular rhythms? A fantasy of ideorhythms[3], of community, a minoritarian-becoming[4] that has circulated and still circulates between the two other regimes, activating itself here and there, usually in a fleeting, bacterial, and invisible way. The fantasy of making it into a dwelling, of visualising it according to an ethics of sufficiency (not of the necessary, and even less of the compulsory) distant from the proclamation of the I. A world that is not inaugurated from the point of view of scission, but in the effort to perpetuate the relation or “de-scission”, producing the Event as a common plan of action.

Here is a third image of thought – and of action, which in this case do not oppose: an image of reciprocity. A third image that is not based upon the assumption of entity, of species, of a contour prior to encounters, but in which we risk to experiment with the varieties of a relation, with the differencialities of difference: and, and, and… a living mode in which we don’t have to choose between a resigned existence and the resistance of tyrant libertarianisms; in which we have to commit to a rigorous (though not rigid) work of re-materialisation[5]  of both movements of the “de-scission” operation: a decision to de-scissor, to do without entitarism, without the certainty (or without the desperate search for the postmodern lost certainty) that “I am” as a condition for encounters. To re-exist in each encounter, be the consequence, and not the cause of the relation.

For it seems to us that resisting, if it is not re-existing, has no effect on relativity: it dies within relativism. It does not affect the relation; it dies in the becoming compulsory of interactivity or in the trench of bitter denial. If the affirmative purpose is vital continuity, let us rather talk about re-existence, about resilience: the flexible force of adaptable fragility, which lies in molecular clarification and in re-inventive acceptance, in dealing with “what we have”, rather than in rigid insistence of denial or in indifferent desistence of consent.

This is a problem that crosses both artistic practices and life in community. The fact of activating it and dealing with it places us beyond the segregating logic that fences in knowledge domains and artistic fields, and gives us back an ethical and political awareness that we make our own facts as much as they make us[6] – so that we can and ought to take responsibility both for our modes of living together and for our modes of creating worlds. There are no spectators; there are no artists: we are all (whether we assume that responsibility or not) makers of our own co-existence.

4. Research on another possible world: the emergence of mayhapness

It is in this question-place that the current research project will situate itself: in the modes of “making problems” to contemporary anthropology and to the sociality of living together raised by Ethnography as Situated Performance and the AND Logic as proposed by Fernanda Eugenio.

The project (just like this text) takes up the form of a metalogue[7] – of the one’s own thinking-making through the exposion to otherness, a cross contamination and re-invention of issues, questions and working modes. The metalogue: dislocate in order to exist (here is re-existence), engagement in spreading-maintaining openings and dissensus; refusal of the desirably conclusive agreement of dialogue. A research on existence/resistance understood and experienced as re-existence. That is to say, not as an act of “situating oneself against”, but as an act of “situating oneself with”. Thus the crucial relevance of widening the understanding of what a composition might be: very clearly a “placing oneself with” the other, the position of each agent being given by the relation with the others, the consequent position, the “com-position”. It will be a proposal of collaborative inhabitation: that of the research on modes of activating a world other than the one of the infinite mobilisation of modern and postmodern kinetics. This demands, before anything else, a huge effort to step back from the Action and the I; an effort to interrupt the impulsive immediatism to know and recognise “what that is”. A “subtractive” effort: subtraction[8]  of the I and the Why (of the fixation on meaning, on its explicative or interpretative form) in order to extract a way back to the simplicity of “the right to go on”, i.e. sense understood solely as an emerging non-teleological direction. An effort then, to pose the prior question about the clarification of what “we have” to offer to each other, each time considered as a matter of the relation we are in.

What guides this project is the engagement to reformulate the question, trusting that a new world cannot be inaugurated when we find the answers, but when we change the questions. Not to ask about Being (“what is this?”), but about Having[9]  (“what does this have?”). Working in order to make affordances[10]  (the properties-possibilities that invite us to a contingent relational fitting) visible is therefore also an effort to operate not inductively or deductively, but abductively. [11]  An effort to step back from what is clairvoyant (the evident) and to open an interval, so that what is obscured (or “obviated”) by clairvoyance can regain the surface. Hence, the “motor” of this working mode is the pause: not the tireless kinetics contained in the imperative “to understand”, but its inhibition, the challenge of remaining in the delay of action, in the interval of a “stand”.

At this speed, which is not a movement, creation meets an entirely new territory to set its sense on: neither creation in the biblical sense (making the “is” from zero), nor in the romantic sense (making the “zero” from the “is” of the artist, for her own pleasure). Rather, creation as stigmergy: collective work with no subject or object; unlimited work of re- materialisation of what emerges from relations; each time working with what one has and with what remains, with the tracks and traces of living together. A work that consists only in distracting oneself enough from the I in order to activate attention to the environment and to a non-manipulative handling of possible fittings, to the delicate grading between persisting and desisting in order to – then – re-exist.

A creation that emerges because we abstain from control and protagonism, becoming available as “minor” tools, as gamekeepers[12]  of the Event’s “blind design”. Creation then, as autopoiesis[13]  of the common. As serendipity – finding what we were not searching for, didn’t know, didn’t desire, that was not created by any particular author, but is made of encounters within a network of unlimited anonymous contributions (with no name, no I). Encountering whatever “could be” or happen.

 

This is therefore a research on another possible world, neither the world of modernity nor the one of post modernity. Maybe, who knows, the one of Mayhapness.

 

 

5. Tetralemma: the project as iterative process

 

This post-doctoral proposal will branch out into a 9 months collaborative research (between the tools I’ve been developing to perform with AND Logic and the real time composition method proposed by the Portuguese choreographer João Fiadeiro: hosted by his structure, RE.Al, this research will take place between September 2011 and June 2012, including different shared situations of teaching/transmission, creation/presentation and writing/publishing – three dimensions of the same effort to think and operate reciprocity (both within daily life and artistic creation). It will also work as a pilot-project for the creation of a research centre on politics for the living together.

As we activate apparatus such as a course, a creation, and a book, we are aware that this movement is loaded with something that is both indispensable and dangerous. On the one hand, exteriorising and uttering – taking position, leaving behind the becoming-imperceptible to which the rigorous and delicate exploration of reciprocity could lead – is fundamental to “set the pirate flag” of the mayhapness way of life, activating it as a disturbing event, enough to make it emerge on the level of the visible and thus restore the clarity of its dissensual texture. The ambition will be to reopen, in a serious way, the debate that postmodern relativism has managed to anesthetise under the interactive form of mere aseptic tolerance between indifference and celebration, for the most part merely discursive.

Yet if in order to affect the visible we have to give in and go around with its modes of operation, then it should be a minimal concession, no more than enough. For there is a whole series of dangers to be disabled, in order to restore those apparatus of power, hierarchy, distinction, legitimating and taming that are the pedagogic, artistic, and scientific tools: old modern strategies of (re)production of truth, certainty, definition, command. How to turn them into “minor use” tools, transform them into a place of encounter, knowing how much they are engaged in an almost irresistible and already rather automated vocation for recognition, for the fixation of reiterative meaning? [14]

How to appeal both to reiteration and interaction? For it is not enough to break up the reiterative circle of the modern hierarchic distribution master/apprentice, artist/spectator, scientist/layman (that are all modalities of the opposition subject versus object, or subject versus subjected), proclaiming, “shouting out loud” the postmodern pseudo-relation of equalitarian interactivity.

We think that in order to face and deal with these “monsters” at their own homes (the school, the theatre or the book) we will have to develop forms of availability to open the closed places of transmission, of creation and writing through the reciprocal contamination of their modes of operation. Availability to betray them[15] with one another; to be always between them. To work on iteraction, a spiral relation mode, which is neither an interaction (that returns to zero at each relational cycle) nor a reiteration (whose cycles are circles, or mere confirmations). To dislocate, in this way, each of those scission apparatus that are the class, the show, and the concept, and use them in a displaced way in order to disturb their pacific unfolding, to propose inquiries, to open up possibilities, to change their regimes and expose their tacit pacts. In order to disfigure and disorganise[16] their demarcations and keep the uncomfortable alive. Perhaps the uncomfortable will be the only antibody that is able to prevent the metalogue from succumbing both to the monologue of reiteration and to the dialogue of interaction.

This project of crossed immunology of the apparatus of the course, the creation, and the book thus activates them under the condition (once again) of de-scissoring them. Its design takes the form of the tetralemma[17]: the course is only a course to the extent that at the same time it is not a course; it is a creation and a book, and it is neither a creation nor a book. The creation is only a creation to the extent that at the same time it is not a creation; it is a course and a book, and it is neither a course nor a book. And the book is only a book to the extent that at the same time it is not a book; it is a course and a creation, and it is neither a course nor a creation.

In this way we have a minimal environment made of all those varieties, as a place of encounter. Here is our research programme[18] : a set of questions but not a subject matter; a purpose but not a motive; availability but not a cause. A rigorous departure point precisely meant to allow the flexibility of opening the way to something we do not know yet (…that we know).

6. Research starting points

 

Sensitivity to ‘initial conditions’ (S.I.C.) of an encounter

a) From (E)vident to OB(vious): the work on ‘initial conditions’

b) There is no why, There is no I. The work of subtraction

c) Subtraction and Re-materialisation: from instinct or second-instinct to emergence

d) From decision to de-scission: affordances and the protocol of relation/difference

e) Remains what re-exists

 

The work of minorisation and the value of position-taking

a) The ethics of sufficiency and immunology: from Major action (gardening/manipulation) to Minor action (gamekeeping/handling)

b) What to take with: desert oneself, the microscopic work on oneself         

c) Memory and event: on how to finally exist (put an end and exist)

 

Modes of living and politics: neither consensus nor non-sense, the work by means of dissensus

a) From modernity to mayhapness. From Being to Having. From is/or to and, and, and…

b) From globe to sphere. [19] From the subject/object face-to-face to a relational environment. From Line to Square

c)Dimensions of the Square and forms of relation: peers, community

d) Des-authorisation and Com-position

 

Practices of creation and encounter: the arrival to representation

a) Dramaturgy as blind design or how to not frighten the event: becoming stone, becoming elastic

b) Neither induction nor deduction: abduction and serendipity

c) Getting to representation (instead of departing from it): encounter with the spectator and shared responsibilities

REFERÊNCIAS CITADAS | REFFERENCES CITED

[1] Sloterdjik, Peter. La mobilisation infinie. Paris: Christian Bourgeois Éditeurs, 2000.

[2] Rancière, Jacques. O espectador emancipado. Lisboa: Orfeu Negro, 2010; Rancière, Jacques. “A comunidade como dissentimento”. In: Dias, Bruno Peixe & Neves, José (coord.) A política dos muitos. Lisboa: Fundação EDP e Edições Tinta da China, 2010.

[3] Barthes, Roland. Como viver junto. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

[4] Deleuze, Gilles e Guattari, Felix. Milles plateaux. Paris: Minuit, 1980.

[5] Latour, Bruno. Reassembling the social: an introduction to Actor-Network-Theory. UK: Oxford University Press, 2005; Latour, Bruno. “A cautious Prometheus? A few steps towards a philosophy of design (with a special attention to Peter Sloterdijk)”. Keynote lecture, Seminário Networks of Design. Cornwall, 2008.

[6] Latour, Bruno. Reflexão sobre o culto moderno dos deuses fe(i)tiches. Bauru, SP: Edusc, 2002.

[7] Bateson, Gregory. Steps to an ecology of mind. London/Chicago: The University of Chicago Press, 1972.

[8] Deleuze, Gilles. “Um manifesto de menos”. In: Sobre o teatro. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.

[9] Tarde, Gabriel. Monadologia e Sociologia. Petrópolis: Vozes, 2003.

[10] Gibson, James. “The Theory of Affordances”. In Shaw, Robert & Bransford, John (eds.) Perceiving, Acting, and Knowing. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 1977; Gibson, James. The Ecological Approach to Visual Perception. Boston: Houghton Mifflin, 1979.

[11] Ginzsburg, Carlo. “Sinais: raízes de um paradigma indiciário”. In: Mitos, emblemas, sinais. Morfologia e História. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

[12] Urry, John. Sociology beyond societies. Mobilities for the twenty-first century. London/New York: Routledge, 2000.

[13] Maturana, Humberto & Varela, Francisco. Autopoiesis and cognition. Boston: D. Reidel, 1980.

[14] Deleuze, Gilles & Parnet, Claire. Diálogos. Lisboa: Relógio d’Água, 2004.

[15] Idem.

[16] Deleuze, Gilles & Guattari, Félix. “Comment se faire un Corps sans Organes?”. In: Milles plateaux. Paris: Minuit, 1980.

[17] Berque, Augustin. “Éloge du tetralémme”. In: Contes de Palaiseau, c. 2011.

[18] Deleuze, Gilles & Guattari, Félix. op.cit.

[19] Ingold, Tim. The perception of the environment. London and New York:  Routledge, 2000