METÁLOGO &

CO-OPERAÇÃO

Coordenação: Fernanda Eugenio e Ana Dinger

 

A linha de pesquisa Metálogo e Co-operação assenta na relevância (importância e relevo) do encontro e na investigação do(s) modo(s) de habitação desse encontro que possa(m) permitir tomar as suas singularidades como matéria para abordar, situadamente, questões transversais. Um encontro pode dar lugar, por "cismogénese" (a imagem é de Gregory Bateson), a diferentes formas de vida: esse desdobramento em dinâmicas complementares, simétricas ou recíprocas dependerá dos modos operativos que se irão (per)formando entre-2. A capacidade de distinguir, na duração do encontro percebido como paisagem, as modulações de performatividade que atravessam uma relação será, talvez, um modo de tratar (e treinar) a própria 'performance do encontro' na sua dimensão de consistência (ao invés de privilegiar uma coerência redutora). Esta linha de investigação debruça-se, por um lado, no entre-2 como ponto de partida para o entre-mais-do-que-2, e, por outro, na potência da linguagem como (re)formulação de mundo(s). A partir das várias camadas que se sobrepõem e complexificam o relevo da relação entre-2 - relação feita de relações em constante reajuste -, observam-se as micro-políticas e os micro-policiamentos com repercussão em maiores escalas. Contrapondo ao anedótico da biografia um uso impessoal das matérias vividas, procura-se, através da acumulação de estórias e modos de contar e da alternância entre constituir território a mapear e agente que mapeia, linhas de fuga para a construção de possíveis e não expectáveis mundos e colectivos outros. A partir da materialidade da(s) palavra(s), activam-se conceitos sobretudo enquanto operações (e não enquanto nomes, significantes ou categorias), num esforço de presentação (ao invés de representação). Exercitam-se possibilidades e (i)limites de enunciação, tradutibilidade e rematerialização.

 

Na intersecção destes dois movimentos (a aproximação investigativa ao entre-2 e a meta-investigação da linguagem), dá-se a co-incidência de questões tais como: os processos de passagem de invisibilidade à visibilidade e vice-versa, associados, nomeadamente, a micropolíticas da convivência; os perigos do relativismo/interpretativismo e as escalas de uma pesquisa (da separação operacional mas artificial entre laboratório e vida e da continuidade indeterminada do estar-em-campo); os modos de exercício de uma pesquisa e a construção de legitimidade do(s) discurso(s); a operacionalidade, e respectiva variação, dos conceitos que atravessam tempos e áreas, migrando e re-emergindo, acumulando histórias e geografias.

Os procedimentos emergentes desta linha encarnam-se tanto nos artefactos da Série Metálogos quanto em Oficinas Colaborativas, oferecidas autonomamente ou no âmbito das Escolas de Verão AND  e dos Laboratórios de Verão AND Brasil.

Fernanda Eugenio, 2018

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