SÉRIE METÁLOGOS

Na série Metálogos, iniciada em 2015, Fernanda Eugenio e Ana Dinger coleccionam conversas-performance situadas, experimentando com o público diferentes gradações da participação. Como uma conversa usual, os metálogos são irrepetíveis e ingovernáveis. Comportam o risco do encontro porque os seus percursos, meios e tons emergem no próprio fazer. Diferentemente de uma conversa usual, os metálogos recuperam uma operação avançada por Gregory Bateson: o compromisso de tentar que o modo de conversar materialize aquilo que está a ser conversado. No metálogo, procura fazer-se com conceitos ou, se possível, fazer os próprios conceitos, performando modos intensivos de pensar em relação. O esforço é o de presentação e não de representação, no sentido de superar, através do uso, tensões como estrutura/matéria e forma/conteúdo. A questão-problema, a ser manuseada, a cada edição, tem sido extraída do tema oferecido por um evento anfitrião. São, sobretudo, as condições do encontro que se preparam e esse trabalho preparatório (já, muitas vezes, também, metalógico) consiste no mapeamento das vizinhanças do problema e na proposição de ferramentas, materiais, formatos ou interfaces. O metálogo habita diferentes territórios, a cada vez resultando num objecto singular. O programa recorre sem remontar, outro modo de dizer que se repete o procedimento, diferindo a sua materialização. Constroem-se objectos tão distintos como uma batalha de slides, um artigo escrito ao vivo, uma palestra sem fala, um jogo de baralho ou um pequeno contra-dispositivo, mecanismo-convite à realização de um conjunto de tarefas numa praça. Ensaiando um modo operativo perspectivista, o metálogo percorre a paisagem do problema através de uma táctica da dádiva: o problema ganha corpo através do receber e retribuir de cada tomada de posição recíproca. Insiste-se no metálogo até que a questão inaugural se reformule, por desdobramento, numa outra ou mais questões. 

 

Edições já realizadas:

  • Metálogo #1 - os modos da situação (Atenas, Setembro de 2015);

  • Metálogo #2 - o artista etnográfo & o etnográfo artista (Lisboa, Novembro de 2015); Metálogo #3 - os modos da superfície (Porto, Abril de 2016);

  • Metálogo #4 - histórias & geografias da performance (Lisboa, Julho de 2016) 

  • Metálogo #5 – os modos do público (Curitiba, Novembro de 2017)

  • Metálogo #6 - próxima edição, no âmbito do Projecto AND Lab 2019 | Do Irreparável: o que pode uma ética de reparação?

 

Os metálogos são criados, a princípio, segundo uma lógica usualmente atribuída ao happening: para serem apresentados uma única vez, na/para a situação que os dispara e acolhe originariamente. A materialidade emergente de alguns dos metálogos tem, entretanto, levado a que se explore a possibilidade do re-enactment e/ou da autonomização do artefacto resultante de uma edição, quando esta revela um desdobramento em potencial e pede por uma continuação da direcção encontrada.

Fernanda Eugenio, 2018

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