terça, 22/09 | Zoom.us

ANDscape | Curso Extensivo Online

Encontros práticos quinzenais às terças + acesso à Comunidade-Acervo Online da Escola do Reparar para partilha de táticas e criações emergentes
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ANDscape | Curso Extensivo Online

Hora & Local | Time & Place

22/09/2020, 19:00 WEST – 15/12/2020, 22:00 WET
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ANDscape - Curso Extensivo Online

22 de setembro a 15 de dezembro de 2020

Encontros práticos quinzenais às terças, 15 às 18h BR / 19 às 22h PT + acesso à Comunidade-Acervo Online da Escola do Reparar para partilha de táticas e criações emergentes

com Fernanda Eugenio, em posição-com: Dani d'Emilia, Guto Macedo, Julia Salem, Mariana Pimentel, Milene Duenha, Naiá Delion e Pat Bergantin e acompanhamento Iacã Macerata e Ruan Rocha (AND Cuidado), a partir de Lisboa, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba

Parceria Institucional: Fundo de Fomento Cultural - República Portuguesa

Parceria: Penhas co

Neste curso abordaremos a potência de colisão emergente do encontro entre duas palavras das Dez Posições ante o Irreparável. Cada encontro prático será dedicado a uma dupla de ferramentas-conceito, a partir da qual jogaremos o Modo Operativo AND à distância, com a mediação de Fernanda Eugenio. Abriremos o campo com uma sintonização diferente a cada dia, proporcionada pelas práticas corporais convidadas.

Cronograma Previsto

22 setembro - Intro MO_AND (Fernanda Eugenio)

6 outubro - (an)coragem e co(m)passionamento

MO_AND + Corpo Antena (Pat Bergantin)

20 outubro - consistência e comparência

MO_AND + Práticas de Ajuntamento (Mariana Pimentel)

3 novembro - firmeza e franqueza

MO_AND + Corpo Multidimensional (Guto Macedo)

17 novembro - suficiência e justeza

MO_AND + Dança Microscópicopolítica (Milene Duenha)

1 dezembro - des-ilusão e des-cisão

MO_AND + Práticas de Sintonização e Inventário (Naiá Delion)

15 dezembro - Des-fecho

Práticas de Dis_Solução (Fernanda Eugenio e Dani d'Emilia) + Práticas em Si (Julia Salem)

E se eu não puder estar em todas as sessões?

As sessões ficarão gravadas na Comunidade-Acervo da Escola do Reparar, com acesso exclusivo às pessoas participantes do curso.

Número de vagas: 20

Valor do curso: R$ 700 (residentes no Brasil) / 150 EU (residentes Europa e norte global)

Bolsas integrais: a cada 5 inscrições pagas, uma bolsa integral é disponibilizada para pessoas vulnerabilizadas por intersecções de raça, gênero, orientação sexual, origem social/nacional e corporalidades dissidentes.

Política de desistências: Até 15 dias antes do início do curso, o valor é devolvido. A partir de 15 dias antes do início do curso, devolução de 50% do valor. Após esta data, não há devolução. 

Ferramentas em jogo

Modo Operativo AND (Fernanda Eugenio)

O Modo Operativo AND (MO_AND) consiste numa ética do Re-parar, da Reparagem e da Reparação, sistematizada num conjunto de ferramentas-conceito e de proposições-jogo que, ao mesmo tempo, propõe e propicia: a investigação direta e experiencial dos funcionamentos do Acontecimento e da Relação; a explicitação dos modos de emergência e de sustentação de acontecimentos comuns metaestáveis; a sensibilização às condições de possibilidade contingentes-impermanentes de cada encontro e às consequências políticas dos posicionamentos individuais e/ou colectivos; a afinação das capacidades de distribuição não-hierárquica da atenção e de (re)inventário trajetivo do possível,; o treino da disponibilidade à diferença e ao acidente/imprevisto, da comparência atempada, da tomada de decisão situada e da colaboração dissensual; a transferência de protagonismo do sujeito para o acontecimento numa prática co(m)passionada da presença; o exercício da equiparação consistente entre autocuidado e cuidado do entorno e entre o discurso proferido e a sua efetuação no fazer. O MO_AND apoia-se na activação do (contra)dispositivo do jogo não-competitivo e de regras imanentes como meio para a frequentação de uma sensibilidade fractal, atenta e minuciosa às modulações relacionais da reciprocidade (justo meio entre a complementaridade e a simetria) e da suficiência (justo meio entre a eficiência e a desistência).

Corpo Antena - Pat Bergantin

Corpo Antena é uma prática corporal que aborda o corpo enquanto uma antena, que não só recebe e transmite, como também traduz, modula e sintoniza. Atuando no campo das micropercepções, aguça os sentidos para o que move (em) nosso corpo aqui-agora, em vez de partir de uma forma pré-estabelecida. Ativa princípios que conectam o movimento às forças emergentes do presente, recuperando a autonomia e reprogramando hábitos já condicionados. Por isso é indicada a qualquer pessoa que se identifique com a proposta, independente de sua experiência com dança.

Práticas de Ajuntamento - Mariana Pimentel

Práticas de Ajuntamento experimenta as poéticas do aglutinar-se. Ativa práticas de reciprocidade através da presença meditativa, de pequenas danças e do fluxo livre de movimento entre umes e outres. Reúne vivências que convocam o corpo coletivo e  expressão de sua presença nos diversos espaços e camadas que compõem a corporalidade.

Corpo Multidimensional - Guto Macedo

Criar corpo no entrecruzamento do visível e do invisível, do dentro e do fora, do que toca e é tocado no soma (corpo de si), transpondo limites entre o perceptível e o imperceptível. Nessa abertura perceptiva, cada ume com suas próprias multi-imagens de corpo, tece devires, onde o tempo cruza o espaço, o passado ressoa no presente e novos esquemas somáticos emergem.

Dança Microscópicopolítica  - Milene Duenha

Partindo do princípio de que as transformações na dimensão coletiva se referem a uma lógica recíproca de transformações que se dão nos corpos que a compõe, essa prática de ativação microscópica do corpo e do meio operada por uma ética das relações se volta à ampliação perceptiva no reconhecimento de que não sabemos tudo o que pode um corpo, daí um convite a experimentar suas potências. Com foco na expansão do aspecto sensível e na mobilização de questões que inter-ferem as/nas diferentes existências, busca-se a atenção à potência de vida que pode emergir na abertura à transmutação a partir do mínimo, do quase invisível, até às relações mais ampliadas.

Práticas de Sintonização e Inventário - Naiá Delion

As Práticas de Sintonização tomam como ponto de partida a relação entre corpo e gravidade e propõem dedicar tempo para o mapeamento dos apoios do corpo no chão, dos apoios no ar ou em outro corpo, em pausa ou em movimento. Trata-se de acessar tecidos ósseos, musculares, elásticos e pele para investigar a fractalidade e a multidirecionalidade do movimento, dispondo o corpo para relacionar-se com o imponderável. As Práticas do Inventário tomam como ponto de partida algo que foi vivido. O mapeamento dessa experiência vai se afinando de fora para dentro até poder novamente incluir a relação do corpo com o campo gravitacional. Através do convite a este inventário singularizado, a proposta é que se possa abrir espaço para uma apropriação das vivências que permita disponibilizá-las como ferramentas para a investigação de cada ume.

Práticas de Dis-Solução - Fernanda Eugenio e Dani d’Emilia

As Práticas de Dis-Solução são um desdobramento da pesquisa a que temos nos dedicado desde 2018, à volta da elasticidade das capacidades de vinculação íntima com o desconhecido/desconhecível e de possíveis percursos para a ativação de modulações não-hierárquicas e disseminadas do amor. Intencionamos, para esta nova experimentação, percorrer algumas voltagens da operação da dis-solução: por um lado, apontar para possíveis "foras" do regime hegemônico da solução, que acelera na direção do resolver/finalizar/fechar, orientado por um lógica de extinção que atua lado a lado à lógica sistêmica predatória e extrativista. Por outro lado, sensibilizar para as valências da (dis)solvência, num exercício sensível de desatação de nós (e em nós) - de repousar no tecido da inseparabilidade, descansar no sentir distribuído, percorrer todo o espectro das sensações até a sua borda dissipar no fora: abordando-o ao a-bordar-se. Procurando transmutar as condicionantes em condições, perguntamo-nos como fazer da "falta de contacto físico" entre humanos uma brecha para povoar e amar outras formas e matérias de vida, mais-que-humanas? Como alargar as nossas experimentações na direção de um repertório de intimidade relacional mais vasto? Como sentir que o nosso corpo-coração se torna coletivo, ao ponto de que ele seja inseparável do coração da Terra?

Práticas em Si - Julia Salem

Práticas em Si são uma série de exercícios de atenção e contemplação, ação e manuseio, comunicação e expressão que pretende ampliar a percepção, através de um descondicionamento do olhar, do fazer e do falar. Os procedimentos são relacionais (corpos, objetos e espaços) e buscam borrar as fronteiras que separam essas camadas e acalmar a necessidade de identificação do sujeito. São procedimentos para encontrar-se consigo  mesma, com outres e com o mundo, que orientam éticas pessoais  e relacionais e podem alargar o nosso modo estar na relação entre corpos. Esse trabalho nasce das inúmeras práticas  de corpo adquiridas ao longo da caminhada, dos mergulhos profundos em processos criativos e do encontro sutil com os atendimentos da Terapia de Integração Craniossacral.

Notas Biográficas

Fernanda Eugenio é antropóloga, artista, investigadora e educadora. Trabalha com a construção de modos de fazer transversais para a com-posição relacional, o cuidado-curadoria e a criação por re-materialização - nomeadamente o Modo Operativo AND, metodologia de cunho ético-estético e político, que criou e vem desdobrando desde os anos 2000, dedicada à prática co(m)passionada da presença, à sintonização com a experiência sensível da inseparabilidade e à pesquisa dos processos de emergência. Fundou e dirige, desde 2011, a plataforma AND_Lab | Arte-Pensamento e Políticas da Convivência (com sede em Lisboa e núcleos no Brasil e em Espanha), uma estrutura artesanal de investigação artística, que atua no cruzamento entre as artes, o pensamento crítico, as práticas político-afetivas encarnadas e as pedagogias radicais, reunindo criadores comprometides com o exercício da arte enquanto reciprocidade que sustenta a vida (em) comum. É pós-doutorada (2012) pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; doutorada (2006) e mestre (2002) em Antropologia Social pelo Museu Nacional - UFRJ, formada em Dança pela Escola Angel Vianna. No Brasil, foi Pesquisadora Associada do CESAP/IUPERJ (2003-17) e Professora Adjunta de Ciências Sociais na PUC-Rio (2005-12). Nos últimos vinte anos tem atuado como professora convidada em diversos programas de formação em ciências sociais e humanas, artes e performance na Europa, EUA e América do Sul. Suas publicações, criações artísticas e colaborações circula(ra)m por Brasil, Chile, Argentina, Peru, Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia, Alemanha, Áustria, República Checa, Reino Unido, EUA, Canadá, Nova Zelândia,  Vietnã e Filipinas.

Pat Bergantin é artista da dança. Professora, coreógrafa e bailarina, atualmente se dedica a partilhar sua prática Corpo Antena, que reconhece o corpo como transmissor, receptor e tradutor de forças e a coordenar, junto com Naiá Delion, o Núcleo AND Lab SP. Também está em processo de criação de seu solo Mina, e de Cyprine, terceiro trabalho com Josefa Pereira, com quem já criou as performances em dança Mandíbula e Égua. É diretora da residência artística Contágio e também performer de Monstra de Elisabete Finger e Manuela Eichner. Apresentou em lugares como: Moderna Museet na Suécia (2020), Bienal de Dança SP (2019), Festival Internacional de Dança do Uruguay (FIDCU) (2018) e Museu de Arte Moderna (MAM-SP) (2018). Trabalhou com Marta Soares, Jorge Garcia e também em produções internacionais dos coreógrafos Jerôme Bel, Tino Sehgal, Angie Hiesl & Roland Kaiser e Yvonne Rainer. Formada em Balé Clássico pela Escuela Nacional de Cuba, é graduada no curso de Letras da USP. https://patriciabergantin.wordpress.com

Mariana Barbosa Pimentel (Fortaleza, 1983) é artista da dança, gestora e produtora cultural, atuante na cidade do Rio de Janeiro. Estudou no Royal Conservatory of Antwerp, Bélgica e é licenciada pela Escola Superior de Dança de Lisboa.  É mestre em Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias pela Universidade Nova de Lisboa com pesquisa na presença do corpo na dança contemporânea e suas relações de alteridade. Seus trabalhos autorais tratam do tensionamento político entre corpo, espaço, identidades e noções de coletividade. Integra o coletivo Corposições e desde 2018 dá corpo ao Núcleo AND Lab Rio junto com Guto Macedo, Iacã Macerata e Letícia Barbosa. Seu trabalho foi apresentado em festivais, encontros e escolas de artes performativas em  diferentes países, principalmente na América do Sul e na Europa.

Guto Macedo. Pioneiro no Ensino do Contato Improvisação no Brasil, atua também como Professor de Dança Contemporânea,  Dança Moderna, Movimento Autêntico, Coreógrafo, Ator-bailarino, Músico, Cantor, Educador Somático e de Percepção Musical, Pesquisador do Movimento e Facilitador da Lei do Tempo. Pesquisador teórico-prático independente e parceiro dos coletivos CIMA, Corposições e Núcleo And Lab Rio que atuam no Brasil e exterior. Formado em direção teatral (UFRJ/2006), Pós-Graduado em Neurociências (UFRJ/2016) e Facilitador da Lei do Tempo (Instituto Lei do Tempo/2017). Foi dançarino profissional integrante de diferentes grupos no Rio de Janeiro e em Nova Iorque. Desde 2003 pratica o Movimento Autêntico (MA) com a Introdutora do MA no Brasil, Soraya Jorge. Com ela criou o CIMA (Centro Internacional do Movimento Autêntico) e desenvolveu a pesquisa Afecção Entre o Movimento Autêntico e o Contato Improvisação. Seu trabalho circulou por diferentes países na América do Sul (Brasil, Argentina, Uruguai), na Europa (Portugal, Áustria, Alemanha, Russia, Grécia etc) e EUA (NY), tendo participado de diversos festivais e encontros internacionais.

Milene Duenha. Artista com atuação nas intersecções entre dança, performance e teatro. Interessa-se por questões ligadas ao corpo ingovernável e seus modos de estar/fazer como potência de afeto. Pesquisa a noção de composição nas artes presenciais e as relações entre ética, estética e política. É professora colaboradora no curso de Dança da UNESPAR, Pr. Pesquisadora associada ao AND_Lab | Arte-Pensamento e Políticas da Convivência, coordena junto a Francisco Gaspar Neto o Núcleo AND Lab Curitiba. Desenvolve uma pesquisa artística no Coletivo Mapas e Hipertextos desde 2012 e integra o Projeto Corpo, Tempo e Movimento desde2014. Possui graduação em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina (Brasil) e pós-graduação em Artes Visuais / Arte-educação e na mesma instituição. Doutora e mestre em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Brasil).

Naiá Delion formou-se em Comunicação das Artes do Corpo na PUC-SP em 2002, com habilitação em Dança. Tem como formação paralela à graduação universitária, o Núcleo de Improvisação coordenado pela bailarina Zélia Monteiro. Ainda na universidade, realizou pesquisa científica sobre a relação Brasil/Japão nas artes, orientado pela Profa. Dra Christine Greiner. Como bailarina, formou-se no Curso Técnico da Escola e Faculdade Angel Vianna e participou de diversas residências artísticas no Brasil e no mundo. Entre elas o coLABoratório, onde conheceu Fernanda Eugenio e iniciou sua parceria com o Projeto AND Lab. Na mesma época, criou o solo "Use o assento para flutuar"” em parceria com Volmir Cordeiro, contemplado pelo Prêmio Funarte Klauss Vianna. Como educadora do movimento, formou-se na Escola Ivaldo Bertazzo (2003), e como instrutora de pilates (2013) e de Gyrotonic (2019). Atualmente, faz parte do Processo Formativo do Movimento Autêntico, dirige o Estúdio de Pilates e Gyrotonic AMANA e o coordena, junto com Pat Bergantin, o Núcleo AND Lab São Paulo.

Dani d’Emilia é artista e educadore transfeminista. Desde 2001 trabalha internacionalmente nas intersecções entre performance, teatro imersivo, artes visuais, pedagogia radical e justiça social. Interessa-se especialmente por práticas político-afetivas encarnadas que entrelaçam as esferas artísticas, activistas e espirituais e tem desenvolvido uma vasta investigação à volta da ‘ternura radical’. Dani é co-fundadore da companhia de teatro imersivo Living Structures (GB) e do espaço artístico Roundabout.lx (PT). Foi membro do coletivo La Pocha Nostra (MX/EUA) entre 2011-2016 e do Proyecto Inmiscuir (MX) entre 2015-2017. Desde 2017 integra o coletivo Gestos Rumo a Futuros Decoloniais